terça-feira, dezembro 16, 2008

Folha de laranja e cotovelo

Ok, meu amigo, não vou desprezar sua dor. Já vi coisa parecida algumas vezes e sei como essas coisas dominam sentimento e razão, fazendo ambos se confundirem no espaço da memória. Sei que as manhãs fazem falta e que seu teatro das reais carícias e regalias para a mulher amada está vazio desde que a personagem principal deixou o palco das primaveras contínuas. Sinto não ser mais útil, já que só posso oferecer meus ouvidos e condolências. O último parece atrair a palavra "enterro" e não acredito que seja o caso. Não ainda. Vele essa dor que agora sente, mas não vele o amor porque este não morreu ainda. Ameaça transformar-se. E isso, também sei, é tristeza ainda maior para os amantes que não desejam tornarem-se apenas amigos. Este seu oráculo tem pouco a sugerir. Se o mal fosse essa gripe que agora me atinge, aconselharia folha de laranja, ‘alfavacão’ e capim limão batidos no liquidificador com mel. Não é receita infalível, mas aplaca os efeitos que agora deixam meu corpo e mente anestesiados para os compromissos do dia a dia. Mas sendo dor de amor, é vírus para o qual, lamento, não encontro receita. O único modo que conheço para lidar com esses sintomas que o mal traz é curtir o momento em banho-maria com uma mão sustentando o cotovelo e a outra a cabeça. Esta deve continuar sobre o pescoço, aquele é bom que não encoste diretamente sobre a mesa. Pode ficar grudado ali por um bom tempo e é outro efeito que não desejaria para um amigo tão querido. Bom, coloque no lugar cabeça e cotovelo. Caso algumas lágrimas queiram escorrer, não prenda. Elas rolarão mais cedo ou mais tarde. E como já aprendi em situações anteriores: quando elas querem partir, é melhor permitir sem resistências. Não há tranca capaz de retê-las e todas as válvulas as ajudarão a escapar. No mais, tente o chá de folha de laranja quentinho. Não fazendo bem, mal não fará. Estarei aqui, com ouvidos e condolências. De resto, consulte o Tempo...






I heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this, the fourth, the fifth, the minor fall, the major lift, the baffled king composing Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Your faith was strong but you needed proof, you saw her bathing on the roof, her beauty in the moonlight overthrew you
She tied you to a kitchen chair, she broke your throne, she cut your hair, and from your lips she drew the Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Maybe I have been here before, I know this room; I have walked this floor, I used to live alone before I knew you
I've seen your flag on the marble arch, love is not a victory march, it's a cold and its a broken Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

There was a time you let me know whats really going on below, but now you never show it to me, do you? (and)
Remember when I moved in you; the holy dark was moving too, and every breath we drew was Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Maybe there's a God above, and all I ever learned from love was how to shoot at someone who outdrew you
And its not a cry you can hear at night, its not somebody who's seen the light, its a cold and its a broken Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu--jah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu---u---jah

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Elephant gun ou Um desafio

Desafio o caro leitor deste blog a não querer dançar, rodopiar e saltitar ao ver este clipe da banda Beirut (http://www.beirutband.com/) Uma delícia de melodia! Quem vencer o desafio, na verdade, estará perdendo... Sim, já me entreguei ao som por aqui. Uma mini-catarse não faz mal a ninguém.





***

If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun*
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide

**elephant gun: é uma arma de calibre largo. Ela tem esse nome porque originalmente eram feitas para uso de caçadores de elefantes ou outras caças perigosas.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

terça-feira, novembro 18, 2008

Fora de contexto ou Depois de amanhã

te amo
te adoro
te cama
te lençol
te chão
te salada
te nado
te remo
te mimo
te memo

MLCM

domingo, novembro 09, 2008

No corredor...

Domingo - almoço (tarde) - aniversário da vizinha

As visitas vão sendo recebidas no corredor... Abre-se a porta do elevador.

- Ahahahahaha! - é a irmã animada - Dudu, que saudade!
- Cortou mais o cabelo? - a aniversariante.

Sem resposta. Pergunta retórica.

Minutos depois...

Vozes de crianças no corredor.

- Olha, fica na quadra! Vou ficar olhado daqui de cima.

O controle da tia aniversariante.

Risos e vozes desencontradas das crianças no corredor.

- Não é melhor deixar o chinelo aqui? - a tia consulta.
- Sim.
-Você quer fazer xixi?
- Não.

Chega o elevador.

- Sétimo andar. Desceeendo - a acessorista eletrônica informa.

As crianças descem. Corredor em silêncio.

sábado, novembro 08, 2008

São Paulo, 18ºC

"Andar por essas ruas sem você é como ir à praia sem sol..." (B.C.)

quarta-feira, novembro 05, 2008

O simbólico é a mais forte realidade

Madrugada de 5 de novembro de 2008 - Barack Obama, eleito presidente dos Estados Unidos da América, discursa para cerca de 1 milhão de pessoas: "If there is anyone out there who still doubts that America is a place where all things are possible; who still wonders if the dream of our founders is alive in our time; who still questions the power of our democracy, tonight is your answer."
***

Manira, grande colaboradora que nos visita duas vezes por semana aqui em casa, correu de manhã para ouvir no rádio o resultado da eleição. Comemorou uma mudança: "o negro sempre foi tudo que é ruim". Conto que o "slogan" de Obama é Yes, we can e traduzo, "Sim, nós podemos". "É claro que podemos! Quem é o maior escritor brasileiro? Não é um negro?", pergunta Manira, já com a resposta. Negra, pretinha, de pele macia e dona de um abraço que reenergiza minhas manhãs. Essa é a melhor descrição que posso pensar para ela, que estudou só até a alfabetização. Eu, confesso, me surpreendo pela referência a Machado de Assis. "A gente escuta as coisas..." - responde ela, minimizando sua capacidade de absorção e crítica a respeito dessas "coisas". É interessante que o "nós" seja logo apropriado por Manira como referência aos negros. Mas quem são esse "nós"? "Nós" norte-americanos? "Nós" latino-americanos? Será que também podemos? "Nós" United State of America?

***

Engraçado como sempre, em qualquer discurso - inclusive nos filmes tipo Independence Day - os políticos e líderes heróicos enchem a boca ao pronunciar Ameerica, despertando o mais emocionado sentimento de pertencimento e provocando a catarse em aplausos e ovações ao locutor.

***
Ligo o rádio, a televisão, e escuto relatos inflamados por todo o mundo: "O primeiro presidente negro..." Alguns ao meu redor não foram contagiados pela "onda Obama", como destacam os meios de comunicação. Falava há pouco com um colega ao telefone. Entre os que preferem sequer entrar nesse mar de entusiasmo pela eleição do homem "mais importante do mundo" (Malu de Bicicleta apud Jornal Nacional) ser negro, ele me diz que apenas por seu valor simbólico a escolha de Obama merece algum entusiasmo. E pergunto: o simbólico não é real? Meu colega diz que não e, como de costume, discordamos. Sem grandes expectativas (elas nunca são boa companhia para mim) fico com a realidade contagiante do simbólico. Quanto aos próximos quatro anos... A política continua sua rotina de meios e fins, nacional e internacionalmente. Não acredito em grandes milagres, mas não me culpem por ficar otimista.




"TIMES" - 1963

200,000 NEGRO MARCHERS DISPERSE IN PEACE 8- WASHIINGTON'S DISCIPLINED DEMONSTRATION PRESIDENT'S EQUAL RIGHTS PLEDGE


200,000 Negro Marchers Disperse In Peace - From Our Own Correspondent WASHINGTON, AuG. 28 The largest Negro demonstration for freedom since the abolition of slavery took place here peacefully today. More than 200,000, according to police esti- mates, came in a vast but orderly throng to the Lincoln Memorial to demand freedom now. Away from the Mall, Washington was a deserted city. The whites stayed at home, offices were empty, bars closed, and military policemen took over the downtown street crossings. Outside, some thousands of troops in complete battle order stood by. They might as well have stayed in barracks. Although the crowd was twice as large as was expected, and long after the march got under way special buses and trains were still arriving from every part of the country, there was a complete absence of tension. SOLEMN IMPRESSION At times the demonstration sounded remarkably like an inter-Church assem- bly,- and there were probably more priests and clergymen present than in Rome. The assembly of rabbis could have shamed Tel Aviv and the Gandhi caps of the volunteer marshals served only to remind those with long memories how different this was from other demonstrations. In the words of Mr. Roy Wilkins, of the National Associa- tion for the Advancement of Coloured People, it was a great day. The demonstration got under way today with a middle-class decorum rufled only occasionally by religious fervour and political activism. Neither the folk singers, mostly white, nor the inevitable cranks dented in any way the solemn impression made by tens of thousands of decent Americans exercising their right of assembly to demand freedom for millions of their countrymen. They had come a long way since the first freedom buses were burnt by white mobs, since southern policemen had turned dogs and fire hoses on them. Since one of their leaders was shot in the back. The activists were there, youngsters in sweat shirts and jeans, many only recently out of gaol, but the vast majority were ordinary, conventionally dressed Americans whose faces happened to be black. FAMILY GROUPS Their collective respectability was almost overpowering: clergymen, dependable looking men in business suits, motherly ladies in flowery hats, and youngsters dressed for an Ivy League campus. Handsome girls, well dressed and with a determined look, old men in clean dungarees, trade unionists, youthful seminarists. and family groups bur- dened with picnic luncheons-never could there have been a more unrevolutionary assembly-not since the days of the Good Lord, one clergyman added when your Correspondent searched for a comparison. It was this respectability combined with quiet determination that made the demonstration so impressive. There were relatively few onlookers, at least in the early hours. to witness it, but the television networks cleared their programmes of much of the usual junk and soap operas to carry the impression from coast to coast. PROPERTY OWNERS The young Negro activists practised non-violence; the thought of it was obviously too abhorrent to those family men and property owners. They began to assemble at the Washington Monument, within sight of the White House, slowly from their special buses. Many first went to church in deserted downtown Washington, and, obeying the directions of their own marshals, looked for the rallying points of their groups: the National Council of Churches, the Lower East Side of New York Council of Religion and Race. the Committee of Christian Conference of New Canaan, Connecticut, and similar groups from Berkeley, California, Youngstown, Ohio. and Charleston, South Carolina. CLASPED HANDS There were many whites-clergymen and rabbis, and also many well-dressed people of the kind seen at country clubs. A few looked as if they had come from Newport or some other fashionable watering place. There were also many youngsters who if they had been born in England would rally to the C.N.D. and march from Aldermaston. All wore badges showing clasped black and white hands, and some carried banners with the legend " Freedom in '63 " or small national flags. As the huge meadow filled up enter-, tainers sang freedom songs or recited rather turgid prose. Groups sitting on the grass sang or hummed their own Song5 Just before noon the signal was given and they began to march slowly down Constitution and Independence Avenues to the Lincoln Memorial. They marched about 20 abreast, right across the broad streets, to the music of the inevitable brass bands. There were picket signs with demands for freedom. jobs, housing, and schools. " JOHN BROWN'S BODY" The police had requested that there should be no singing during the march. but to try to stop an American Negro singing in such circumstances is like trying to stop a lark from flying on a clear morning. Many sang John Brown's Body " as they marched slowly in two broad streams to the statue of the great emancipator. At the memorial the breadth and depth of the movement became evident. and after the Roman Catholic Archbishop of Washington had given the invocation the urgency showed through the middle class respectability. Miss Marian Anderson and Miss Mahalia Jackson sang spirituals, and a message was read from Mr. James Farmer, of the Council of Racial Equality, who is languishing in a Louisiana gaol. Mr. John Lewis, of the Students' Non-Violent Coordination Committee, said: "We are tired of being beaten by police. We are tired of being gaoled. How long can we be patient ? We want our freedom, and we want it now." "ALL THIS WILL END" The response from the throng was immediate, but it remained sober and gave at least equal attention to the economics speeches. The harshness of Negro unemployment, twice the national rate, can be more painful than the limitations on freedom. The Rev. Martin Luther King, said: "Five score years ago the great Ameri- can in whose shadow we stand today signed the emancipation proclamation. . . . One hundred years later the Negro is still crippled by the manacles of segregation and the chains of discriminaticn. He still lives in the corner of American society and finds himself an exile in his own land. We come here today to dramatize this shameful situation. .. we have also come to this hallowed spot to remind America of the fierce urgency of now. "Go back to Mississippi. Go back to Alabama. Go back to Georgia, to Louisiana, and the northern slums. Go back knowing that all this will end one day. We will hew hope out of the mountain of despair. Let freedom ring." The 200.000 seemed transported and as in hundreds of Negro churches throughout the south they responded to every period with " yes, oh Lord, let freedom ring ". The mass emotion was almost tangible and perhaps for some whites insufferable, but the middle class discipine held and after a final prayer the crowd melted away and the leaders went to the White House to petition President Kennedy as earlier they bad petitioned congressional leaders.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Questão de confiança e a política dos afetos no mercado

"A crise financeira só será contida quando a confiança entre os agentes for restaurada. A confiança não é um bem ou um serviço que possa ser fornecido somente pelo livre jogo das forças de oferta e procura dos agentes privados. Esse é o equívoco dos que defendem radical desregulamentação."

ANDRÉ FRANCO MONTORO FILHO, 64, doutor em economia pela Universidade Yale, é professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP e presidente do Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial). Foi secretário de Economia e Planejamento de São Paulo (1995 a 2002) e presidente do BNDES (1985 a 1988) / 24 de outubro - Opinião - Folha de S. Paulo.

quarta-feira, outubro 22, 2008

As aspas

- Tio Weber, isso é carisma?
"Quando chega o fim do ano um quer um tênis, um quer uma calça. E o dinheiro não dá. Você vai ter que, em vez de dar uma calça, dar uma bermuda mais barata para um e, em vez de dar uma meia que venha até o joelho, dar uma meia pequenininha. É sempre um cobertor que não dá para cobrir o pé e a cabeça", afirmou.
¨Sobre seu otimismo, ele disse que não poderia agir diferente. "Imagina visitar no hospital um companheiro que está em fase terminal, sentar na beira da cama e falar: "Ó, ontem morreu um cara igualzinho'".

presidente Luis Inácio Lula da Silva na Folha de hoje (22/ outubro)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Idade

Idade

Se eu tivesse a idade da espontaneidade
não treinava minhas falas
nem media o assunto.

Se eu tivesse idade,
viajava sem malas
para Machu Picchu ou Maputo

Se eu tivesse a idade,
não calculava tributo,
não media escalas
nem tabelava a usura

- Ora! Mas, quem diz que espontaneidade
tem idade, erra por ignorância
ou poda pela censura.

Maria Luiza Muniz

quarta-feira, outubro 15, 2008

Enquanto não vens...

"Sinto, porém, que existe alegria no meu pensamento, sabendo que vens. E desejo que o dia de hoje passe. E queria gastar a minha vida mais depressa, pra que desde já fosse amanhã".

A Anna pegou da Cecília Meireles e me deu. Eu repasso para você.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Um brinde à poesia...

Na semana passada, estive com um grupo que costuma se reunir para recitar e ouvir poesia. O título deste post é o mesmo dado ao encontro. Poderia ser também Um brinde à pausa e cairia muito bem... Pois foi, para mim, um momento de pausa nessas questões urgentíssimas que nos ocupam (que me ocupam, ao menos). Uns segundos suspensos no ar, flutuando numa atmosfera de palavras. Então, tim tim! E vamos beber a poesia.

Este poema abaixo foi recitado por uma senhora muito simpática, cujo nome não memorizei, mas guardei a delizadeza e harmonia expressas em gestos e voz.

Da inversão de tudo - Cesar de Araujo

Há dias em que as cadeiras sentam na gente
as águas se lavam com nosso rosto
é a noite iluminando a luz.

Quem sabe a verdade
o inverso de tudo?

Inferno de inverno
encontro um homem
sorrindo verão.
Contei a dezenas
não me entenderam
não acreditaram.

Há dias em que as coisas ficariam bem
se estivessem ao contrário:
as árvores a plantar-nos
a estrada a andar em ti
a contemplar-me o sol.

Nós frutificaríamos
darias passagem
eu amanheceria.

terça-feira, julho 29, 2008

As 'vozes' de Buenos Aires... (algumas)


video

Eis alguns registros de visita recente à capital argentina. Fico devendo mais palavras...

sexta-feira, julho 11, 2008

quinta-feira, julho 03, 2008

Primavera con una esquina rota - Mário Benedetti

"¿Te das cuenta de que te extraño? Pese a mi capacidad de adaptación, que no es poca, ésta es una de las faltas a las que ni mi ánimo ni mi cuerpo se han acostumbrado. Al menos, hasta hoy. ¿Legaré a habituarme? No lo creo. ¿Vos te habituaste?"

terça-feira, julho 01, 2008

Vem...

De lá do meio do mundo ele saiu, mas não chegou ainda.
Pergunto-me nessas horas lentas, em qual dia essa saudade finda?

segunda-feira, junho 30, 2008

Vai-e-vem

"Entre nós, mesmo quando avança, a história carrega as marcas do atraso e deixa de cumprir promessas que acumulou. "

(Fernando Barros e Silva, hoje na Folha de S. Paulo, parafraseando um jovem sociólogo dos anos 60)

sexta-feira, junho 27, 2008

Alice no país das maravilhas!

"A cama de Alice está num lugar quando ela vai dormir e noutro quando ela acorda"

segunda-feira, junho 16, 2008

Mi México...



fotos: Malu de Bicicleta (Pintura exposta na casa-Museu de Leon Trotski, uma senhora na feira de Chapala e o "trio" sobre a mesa do restaurante)

quinta-feira, junho 12, 2008

Eco eco eco eco...

"...a comunicação só é digerida se aquele que a emite é capaz de colocar-se na altura daquele que ouve".

"Alguém que é feliz a vida toda é um cretino. Por isso, antes de ser feliz, prefiro se inquieto"

"A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal".


Umberto Eco

domingo, junho 08, 2008

Uma pausa para você...

Suas obviedades me são essenciais...

segunda-feira, junho 02, 2008

"Amar es combatir, si dos se besan
el mundo cambia, encarnan los deseos,
el pensamiento encarna, brotan alas
en las espaldas del esclavo, el mundo
es real y tangible, el vino es vino,
el pan vuelve a saber, el agua es agua,
amar es combatir, es abrir puertas,
dejar de ser fantasma con un número
a perpetua cadena condenado
por un amo sin rostro"

Octavio Paz (Mixcoac, México, 1914-1998 )

quinta-feira, maio 29, 2008

Mario Benedetti (e Malu de Bicicleta) - Amor da tarde

"É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente e dizer "e aí?" e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono."

***

É uma pena você não poder estar comigo
quando olho no relógio e ainda são duas
Você podia chegar de repente e dizer "surpresa!" e ficaríamos
eu iluminada com o azul-verde dos seus olhos
e você com as marcas vermelhas do meu apetite.

segunda-feira, maio 05, 2008

Mais para 'pêssego' que para hortelã

video

Ao final da apresentação da dançarina Eva Yerbabuena no Teatro Municipal do Rio de Janeiro um grupo maravilhado com a 'degustação' do flamenco molhado e denso compartilhava palpites: "Acho que as letras falam de um lamento..." Entre o lamento e a peleja, aposta de outros, os pouco mais de 60 minutos de espetáculo arrancaram "Olé!" da platéia e fizeram certos pés tremerem no espaço apertado das galerias (não sei como foi lá embaixo...). Embora a estratificação econômica, tal qual no Coliseu, deixe os menos abastardos longe da arena, não acredito que também haja estratificação emocional. Galerias e camarotes pareceram vibrar com a agilidade e precisão das batidas de pés e mãos. "Olé!"

***

Receita:

Mojito
1 dose de rum branco

Suco de 1 limão

1 colher (chá) de açúcar

Club soda para completar o copo

4 folhas de yerbabuena (ou hortelã)


Amassar levemente as folhas e o açúcar com um amassador. Acrescentar o suco de limão e encher o copo com gelo picado. Adicionar o rum e completar com a soda. Decorar com um ramo da folha e servir com canudo e mexedor. Servir em copo long drink.

sábado, abril 26, 2008

Pressa...

Esta citação pode precisar de contexto , mas deixo para depois...

Tio Luiz:

- Vou devagar, porque devagar também é pressa...

terça-feira, abril 15, 2008

Os segundos e e os dias ...

Quantos segundos há em um dia?!

Não façam cálculos. Não é de números que eu estou falando...

domingo, abril 13, 2008

No melhor dos mundos possíveis...

Após muitas e incontáveis desgraças, o caminho de Cândido e Cunegundes para a América...



"Durante toda a travessia, refletiram bastante sobre a filosofia do pobre Pangloss. "Estamos indo para outro universo, dizia Cândido, deve ser nele que tudo está bem. Pois temos que confessar que se poderia gemer (reclamar) um pouco do que acontece no nosso na (esfera) física e na moral. - Eu o amo do fundo do meu coração, dizia Cunegundes, mas minha alma ainda está agitada com tudo que vi, tudo que senti. - Tudo vai correr bem, replicava Cândido; o mar deste novo mundo já vale mais que os mares da nossa Europa; é mais calmo, os ventos mais constantes. É sem dúvida o novo mundo que é o melhor dos universos possíveis. - Deus queira! dizia Cunegundes (...)"




Trecho do livro Cândido ou O otimista, de Voltaire.

terça-feira, abril 08, 2008

"Fundamental é mesmo o amor..."

O homem é pois naturalmente político, o que significa que há na sua natureza uma tendência a viver em cidades, e que ao realizar essa tendência o homem tende ao seu próprio bem. Eis o motivo pelo qual é difícil imaginar "solitário o homem perfeitamente feliz; ninguém, de fato, escolheria possuir todos os bens desde mundo pra usufruir deles sozinho, pois o homem é um ser político e naturalmente feito para viver em sociedade" (Ética, Aristóteles em Aristóteles e a Política de Francis Wolff).


"... é impossível ser feliz sozinho."

segunda-feira, abril 07, 2008

Há controvérsias...

"... procurar em todo o conhecimento um resultado que não seja o próprio conhecimento, e exigir que o conhecimento seja útil, é atitude de quem ignora completamente a distância que separa desde o início as coisas boas das coisas necessárias; elas se situam em extremos opostos".

Aristóteles, Protrepticus.

domingo, abril 06, 2008

Equilíbrio

Em algum filme desse domingo que já é ontem...

- Me sinto como se estivesse prestes a espirrar e segurando uma xícara de café quente com uma das mãos.

quarta-feira, abril 02, 2008

Do homem que escreve sem pausas...

Roubei a citação do blog de um amigo que há tempos não vejo, mas sei que estamos conectados...

"E sinto coisas tão boas, Luciano, ondas de energia claras que me sobem Kundalini acima – e então penso que está certo assim, na nossa sede infinita (Drummond) acreditar e levar porrada mas voltar a acreditar e cair do cavalo e não deixar de acreditar e se desenganar e se arrebentar mas continuar acreditando que, de alguma forma, há alguma resposta de humano para humano. E que amar o humano do outro é aceitar e amar teu próprio humano, e que esse é o único jeito, o único way-out possível: procurar no humano do outro a saída do nosso próprio humano sem solução. E na minha memória, amar os pés nus do meu amor na minha blusa roxa. Ou o beijo na boca na escadaria. E pouco importar que tudo tenha sido ou continue sendo fantasia ou carência, porque é assim que as coisas são, e é através disso – e só disso, venusiano total – que posso crescer, e então quero crescer, e não me importo nem um pouco de voltar e acreditar e de ficar todo acesso e mais delicado para olhar as coisas, qualquer coisa." (Caio Fernando Abreu)

terça-feira, março 25, 2008

O mosquito da dengue

Manira pensa que o mosquito da dengue não existe. Há alguns anos escuta as pessoas falando do tal mosquito e sua família inteira já foi vítima da infeliz picada. Mas ela não acredita e ponto. Acha que é desculpa que os governos inventam para repassarem a culpa pela falta de investimentos em saúde. Tentei convencê-la a tomar os cuidados necessários com o argumento de que "se bem não fizer, mal também não fará". Ela não se deu por vencida, mas prometeu seguir a advertência.

Cá entre nós, fiquei me perguntando se Manira não estaria certa e o mosquito da dengue seria como esses entes imaginários que aparecem em determinada época do ano ou em determinadas regiões... Saci, boto, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa. Ah! Esse último sai da lista. Com certeza ele existe! Eu acredito! (Rá! Isso ficou parecendo campanha eleitoral estadunidense.)

domingo, março 16, 2008

Garotas de Guantánamo

video

Maria Bethania e Omara Portuondo (Caneção, 16 de março de 2008)

Guantanamera

Wikipédia: Guantanamera é uma das mais célebres canções da música cubana, de autoria de Jose Fernandez Diaz. Guantanamera significa garota de Guantánamo, cidade do sudoeste de Cuba. A música data de 1963 e uma das gravações mais conhecidas é do grupo Sandpipers.


sexta-feira, março 14, 2008

O Fico

Maria Luiza Muniz
(resposta ao poema Me voy)

Eu fico. Não que inexista um destino.
É só porque minhas viagens, neste enquanto, são internas.
Eu fico esperando o momento de novamente
Envolver-te entre meus braços e pernas.
Eu fico com minhas hipóteses e metodologias
Fico com essa prótese de coração, cópia fiel.
Cuide bem da original em sua bagagem
Entre o kit de sonhos e camisa social.
Eu fico riscando o calendário duas vezes por dia
Para ver se alcanço mais rápido o seguinte...
Eu fico com nossas fotos e suas cartas.
Fico tentando casar sua letra e voz na minha memória.
Fico com a História, a Política, a Comunicação...
Vivo a prática diária das Ciências Humanas
E com a desumana carência da nossa práxis.
Fico, mas para declarar minha dependência
De lábios e toques, de corpos e atrito.
Digo ao povo que Fico.
...aguardando o grito da nossa doce inconfidência.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O meu primeiro espanhol

El Horizonte y la Aurora

Maria Luiza Muniz

Despiértame, amor!
Cuando yo esté sola
Despiértame con tu calor
O con palabras de cariño
Que se retiene hasta cuando
Ellas te piden para salir.
Despiértame, amor!
Ya es temprano y es temprano
Que las cosas empiezan a ocurrir…
Despiértame, amor, con un sueño
Y, por favor, sin sonido!
No tardes más, ni al menos los dos días
Que nos separan ahora
Despiértame, amor!
Que hoy me llamo Aurora
Y tú vas a llamarse Horizonte.
Tan luego digas mi nombre
Voy a acostarme junto a ti.
Despiértame, que necesito vivir!
Y traiga un café, por favor,
Corto, como la vida, amor.

***
nota da autora: Ainda estou tentando domar o idioma...

nota da "tradutora":
cor.to, -a adj 1 curto, breve, escasso, deficitário. 2 fig limitado, curto de inteligência, de talento, pouco instruído. sm café puro, café concentrado. a la corta o a la larga cedo ou tarde. corto de vista míope. quedarse corto não encontrar palavras para explicar um fato real.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008


Metades




Delicados como se não quisessem consumir todo o tempo
Harmoniosos como se desde sempre
Modelados um sob o vazio do outro
Silenciosos como se buscassem frear instintos
Turbulentos quando a regra é não conter
Coreografados como um corpo bailarino
Espontâneos como a necessidade requer
Inocentes qual pipa e menino
Lascivos como batom, vermelho e mulher
Individuais como as pedras de um lago
Encaixados como as peças de um lego
Cheios de vontade ego saudade apego



MLCM

Poema-espelho



Pies hermosos


La mujer que tiene los pies hermosos
nunca podrá ser fea
mansa suele subirle la belleza
por totillos pantorrillas y muslos
demorarse en el pubisque siempre ha estado más allá de todo canon
rodear el ombligo como a uno de esos timbres
que si se les presiona tocan para elisa
reivindicar los lúbricos pezones a la espera
entreabir los labios sin pronunciar saliva
y dejarse querer por los ojos espejo
la mujer que tiene los pies hermosos
sabe vagabundear por la tristeza.



Mario Benedetti

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Meu Girassol


Com uma cicatriz no pescoço é mais fácil perceber que se tem pouco tempo para duvidar da felicidade. Percebe-se quanto pode ser passageiro esse instante intocável de precioso desequilíbrio de emoções. Quando se ganha alguns pontos, percebe-se com mais frieza quanto é fácil perder outros tantos em um lance mal ponderado. Aquela linha definitiva traçada bem no meio do seu pescoço lembra a você o quanto irrevogáveis começam a serem algumas sentenças. Infelizmente, só nos damos conta de que somos adultos quando já tomamos umas dez decisões irreversíveis. Por isso, uma linha no pescoço é a marca que me faz pensar no que é definitivo e em tudo que se faz passageiro se não valorizado na hora certa... (Maria Luiza Muniz)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

É carnaval!!!


X
Razão
(presente de Charles Rodrigues e patota)

Um olhar. Um simples olhar...
Formas de ver a vida,
Vidas de diversas formas
Nelas, uma inesperada completude
Um aviso, um lampejo, uma atitude
Instantes de mudança
Um bolo doido de bonança...
Mas seguem os pensamentos
Alegrias, buscas, tormentos
As últimas conquistas..
As novas aquisições:
Um livro, um beijo, um perdão...
E a cabeça gira, não pára, pira,
Mira, além da nossa compreensão
Saímos, ficamos, voltamos
Notamos as conquistas
Mas sempre retornamos ao nosso canto
Nosso encanto, nossas brigas, nosso chão
Aquele ínfimo mundinho
Onde cabe a nossa razão!

terça-feira, janeiro 29, 2008

Do tamanho de uma cereja

“O diabo não é diabo porque é vermelho, mas porque é velho”. Foi com uma frase mais ou menos assim que o cirurgião de cabeça e pescoço – especialidade que minha mãe repete como se assim minimizasse suas angústias pelo caroço aqui no meu centro de controle – me corrigiu, sugerindo que eu não subestimasse os conhecimentos maternos oriundos de experiências sacudidas em um saquinho como moedas preciosas. Minha herança. Pois um dia, talvez, eu faça uso delas e troque por um bilhete para a terra das conquistas pré-concebidas. Esse destino imaginário não é casual.

Tem a ver com o filme que vi agora pouco e ainda com alguns pensamentos que vieram me atrapalhar o sono nesta última noite. Não são muito novos esses meus lamentos pós-aniversário ao fim de janeiro. Acho que por isso deixei de curtir alguns bons carnavais. Já quando avançava pela adolescência ficava pensando se os colegas da minha nova turminha seriam os mesmos que os do ano anterior. Alguém novo perturbaria o equilíbrio alcançado a duras penas entre a patota? Torcia para que as mudanças não fossem drásticas e chegava a ter pesadelos com o primeiro dia de aula.


Cena 1 – Sala de aula – manhã - Volta às aulas

Ela entra na sala e não reconhece ninguém. A câmera vai passando por cada um dos novos amigos (?) ou potenciais inimigos que cochicham entre si sem muito cuidado em disfarçar que ela é o alvo dos comentários irônicos e curiosos.


Isso nunca aconteceu. Sempre que eu chegava na sala meus coleguinhas estavam lá, alguns saudosos, outros nem tanto. Quando notava presenças estranhas entre os meus velhos e cativos conhecidos da turma 54, 64, 74, 84... Bom, qualquer ave estranha no ninho logo era atraída por uma versão minha das mais simpáticas e carismáticas; a mesma que em alguns minutos pode vir a se tornar meio chata e até inoportuna (a Anna adora me advertir quanto a isso...). Enfim, tudo isso para dizer que finais de janeiro sempre foram um pouco melancólicos com repetidos saldos calculados entre as expectativas e as conquistas dos últimos anos. Esse não está sendo diferente, incluindo uma dose de pirraça comigo mesma por notar que meus avanços (sim, consigo percebê-los, embora seja um tanto complicado mensurá-los) aportam sempre com alguns anos de retardo. E eis que surgem aquelas ínguas irritantes em forma de perguntas: Por que eu não fiz isso quando eu tinha 10 anos? Passam os anos e só o que mudam são os dígitos... Por que não aos 14, 15, 18, 20, 22... A lógica processual do amadurecimento me inerva e me coloca sempre disposta a “recuperar o tempo perdido”.



Recuperar a dívida com a literatura! Recuperar a dívida com os clássicos do cinema, da arte, da História, da cultura nacional! Aprender mais sobre jazz, blues e afins! Ler, ler, ler! Recuperar minha dívida com as atividades físicas: mens sana in corpore sano. Amém! Recuperar minha dívida com os conhecimentos atuais. O mundo gira, minha filha! Ah! Já ia me esquecendo da dívida com o futuro! Rá! Um mundo de coisas e dois braços que parecem encurtar enquanto vejo distâncias alimentadas com fermento e tônico.

É curioso que no meio desse turbilhão de dívidas imaginárias eu me torne uma credora de mim mesma e esteja prestes a declarar moratória por uma simples pedra no meio do caminho. Eis que a pausa se impõe. Há uma pedra no meio do pescoço, no meio do pescoço há uma pedra... Na altura da glândula que comanda uma produção hormonal em série, hereditariamente comprometida. Essa glândula desponta como a credora que se opõe a minha ânsia por controle do tempo que o tempo precisa para passar e fazer amadurecer.

sábado, janeiro 05, 2008

O caminho da roça...


Ao norte do estado do Rio de Janeiro, Minas. Muriaé, a uma distância de 21 km do asfalto, segundo rumores bastante confiáveis.
A beleza de alguns espaços fotos não são capazes de registrar e palavras deixam muito a desejar...
O lugar é daqueles que o som dos bichos é despertador, rede é balanço e terra é provedora direta e sem agrotóxicos.
As pessoas se esbarram com um "Tarrde" bem puxado e simpático... Isso se é tarde. "Dia" se for hora de "bom dia". E "Ôpa" se for de ôpa.
Vaca tem apelido carinhoso: Pretinha, Carmesina, Mascarada. E algumas parecem mesmo aquelas que vemos nas caixinhas do leite industrializado.
Seu Enésio, morador antigo, reclama das artimanhas fabris que elevam o preço do leite retirado por ele e outros cooperativados direto da fonte. O homem passa dos 70 e tem catarata nos olhos azuis como o céu, que faz fronteira com as serrinhas verdes daquelas bandas. Desconhece o poder inflacionante do sujeito chamado atravessador.
A vista de pouco alcance é compensada pelo que sua memória lhe informa... O campo está esvaziado...
Êxodo e cercas figuram a paisagem de hoje. Além das botas de cano alto daqueles que despertam antes do galo para testar a máxima metropolitana "em se plantando tudo dá".