sexta-feira, março 16, 2007

Bobeiras...

Bom, vou começar assim…

-Onde estão minhas asas que deixei com você?

E depois vou prosseguir assim...

-Acho que deixei em algum canto do canto seu quarto...


Não. Péssimo! Apaga toda essa baboseira.

Não vou deixar tão claro... Preparar disfarce.

- Eu esqueci algo com você? Quem sabe aquele pedacinho minúsculo de coração que te emprestei, lembra?

Não. Horrível! Ele vai dizer que não se lembra e que nunca pediu nada emprestado. Aí mesmo que eu vou despencar 40 andares em queda livre.



***


Não pensei que o tempo passaria tão rápido. E tão rápido perderia as palavras antes tão fartas entre nós. Ainda estou sem entender nada. Não restou sequer uma carta para as explicações finais. Só o abraço no parque e um para cada lado...

Os versos evaporaram com as metáforas... Lembro de você às vezes, quando não há muito o que fazer, quando canso de pensar no presente, quando transbordo de pretensões em relação ao futuro. Só então recolho alguns velhos pensamentos, amarrotados entre as roupas.

Na verdade, lembro de você também quando me perfumo. Ah, lembro quando passo pelos nossos lugares e sigo os passos que caminhamos juntos... E se fizer um esforço - não tão grande, admito - posso até ouvir nossos diálogos. Tínhamos uma rua. Mas escutei outro dia que essa rua não era só nossa. Se essa, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava apagar. Mas - lamento - ela permaneceria na minha lembrança. Eita! Por que tinha que existir essa coisa que faz a gente desacelerar o carro quando passa em frente àquele lugar especial... Droga!

Ainda tenho que contornar meu receio de ser descoberta em minha nostalgia secreta. Os outros nem podem sonhar, mas esqueci minhas asas no chão do seu quarto. Se achar, não precisa me devolver. Elas já não servem. Certamente, estão pequenas para mim.

Pois é... Acho que cresci um pouco nesses últimos tempos.






Pôr do sol na estrada...

3 comentários:

Priscila disse...

Malu,

Você tem muitos dons, descobri mais um. O de expressar tão bem o que todos nós sentimos e que muitas vezes só descobrimos quando lemos suas palavras, maravilhosamente perturbadoras.

Beijos,

Stephanie disse...

ainda bem que vc cresceu, Malu, logo virão novas asas, pra outros vôos.

Minha nostalgia é silenciosa e tão cruel. Encontro lembranças nas roupas que vesti, nos lugares onde passei, no perfume, no hidratante, no sabonete, na receita que cozinhei pra um almoço a dois.

E atolada entre as canções, poemas, fragmentos de conversas, presentes trocados, blilhetes, emails me pergunto como é que a felicidade consegue ser tão frágil, mas deixar tanto rasto...

(suspiro)
suas palavras sempre me emocionam!

beijos

rafaelmaia. disse...

belas bobeiras!