sábado, maio 06, 2006

A carta de Gregória

A Jesus Cristo Nosso Senhor
"Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tăo repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a e queirais, Pastor Divino,
não perder na Vossa ovelha a Vossa glória."
--Gregório de Matos (1623-1696)



Mãe, feliz dia das mães. Submeto-me às comemorações oportunas ao comércio, embora eu bem saiba que, tão logo passar este segundo domingo de maio, o foco mudará e muitas mães permanecerão ocupando seus lugares entre a mobília.

Não é o seu caso.

Devo dizer que a grana estava curta e este ano não haverá presente embrulhado sobre a cama, rosas, cestas ou homenagens dispendiosas. Não tome esta falta como se representasse outras (falta de amor, por exemplo). Além disso, como sabe, o trabalho e os estudos me consomem. Cansada, mal tenho ânimo para lhe remeter esta carta. Mas a data não passará em branco. Seu presente agora se põe a escrever estas poucas linhas.

Minha Senhora, esta ovelha vem lembrar-lhe que Vossa glória reside na capacidade maternal de abstrair, relevar, perdoar, doar-se e amar incondicionalmente.

Meus erros recorrentes se traduzem em superioridade quando confrontados com Vossa habilidade maternal para compreender todos meus traços de imperfeição.

Portanto, neste momento afirmo: Eu sou o seu presente, pois lhe dou a chance de ser melhor a cada dia.

Não me agradeça.

Um beijo da filha que te ama,

Gregória.

Um comentário:

Anônimo disse...

O conteúdo de muitos blogs dos quais fiz visita está baseado em fazer simples cópias de artigos, notícias e resenhas publicadas por terceiros.
Não que eu seja contra, mas essa prática me imprime a sensação de que o autor prefere utilizar comentários alheios nas escrita do seu texto do que ter a sua própria opinião.
Felizmente ao ler o seu blog vi o seu empenho em querer fazer o seu próprio estilo. Gostei deste conto que teve a introdução do poema do Gregório e espero poder ler outros tão bons quanto esse.
Beijos, Charles :-)