sábado, dezembro 03, 2005

Roda Vida

"Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração"

Roda Vida (Chico Buarque)


“O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração”.

Ela adormeceu um instante e quando voltou nada parava no lugar. A rotação da Terra seguia em passos retardados, débeis como seu sangue... Ela não saiu do lugar em que estava, continuou rodando naquela mesma roda que se soltou da bicicleta, apostando em novos rumos. E, como aquela roda, ela quis também se soltar, deixar seu jeito insosso, ser de carne e osso e rodar... No cotidiano a inércia não admite impulsos e ordena: que tudo permaneça igual, à menos que haja... atrito!

O sangue desacelerou em seu percurso sempre tão frenético, ele sempre tão preocupado em dar tempo, atarefado com a responsabilidade de enxaguar constantemente todo o corpo... Assim foi. Um coração arrebatado permitiu o atraso, ele próprio consentiu em bombear mais devagar... E o sangue deu suas voltas lentamente, retardando todo o resto.


Uma voz ébria aconselhou: “Por hoje deixe rodar, pois amanhã tudo permanecerá como sempre...” Insossamente parado.

No picadeiro, ela foi a atração. Rodou, rodou, se permitiu rodar...

A roda roda,
ela roda
na roda de samba,
o samba roda
ela roda,
bamba, samba...


O improvável é o desconforto, mas é também uma brecha mágica para a fascinante descoberta do inverso, do que é adverso, da falta de verso, de métrica, de rima. Quando a rotação cessa: surpresa! O acaso te surpreendeu mais uma vez.


“Me cobrir de humanidade me fascina...
Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontra um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso...” (Mosca - Zélia)


Malu de bicicleta descobriu que tinha as ferramentas guardadas consigo e consertou ela mesma sua bicicleta. De novo em linha reta, busca seguir viagem... O circo ficou para trás, será?!

Um comentário:

Graci disse...

É isso aí, Malu, tenha sempre à mão uma caixinha de ferramentas!