A Jesus Cristo Nosso Senhor
"Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tăo repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a e queirais, Pastor Divino,
não perder na Vossa ovelha a Vossa glória."
--Gregório de Matos (1623-1696)
Mãe, feliz dia das mães. Submeto-me às comemorações oportunas ao comércio, embora eu bem saiba que, tão logo passar este segundo domingo de maio, o foco mudará e muitas mães permanecerão ocupando seus lugares entre a mobília.
Não é o seu caso.
Devo dizer que a grana estava curta e este ano não haverá presente embrulhado sobre a cama, rosas, cestas ou homenagens dispendiosas. Não tome esta falta como se representasse outras (falta de amor, por exemplo). Além disso, como sabe, o trabalho e os estudos me consomem. Cansada, mal tenho ânimo para lhe remeter esta carta. Mas a data não passará em branco. Seu presente agora se põe a escrever estas poucas linhas.
Minha Senhora, esta ovelha vem lembrar-lhe que Vossa glória reside na capacidade maternal de abstrair, relevar, perdoar, doar-se e amar incondicionalmente.
Meus erros recorrentes se traduzem em superioridade quando confrontados com Vossa habilidade maternal para compreender todos meus traços de imperfeição.
Portanto, neste momento afirmo: Eu sou o seu presente, pois lhe dou a chance de ser melhor a cada dia.
Não me agradeça.
Um beijo da filha que te ama,
Gregória.