domingo, maio 28, 2006
La reina (Pablo Neruda)
Hay más altas que tú, más altas.
Hay más puras que tú, más puras.
Hay más bellas que tú. Hay más bellas.
Pero tú eres la reina.
Cuando vas por las calles
nadie te reconoce.
Nadie ve tu corona de cristal, nadie mira
la alfombra de oro rojo
que pisas cuando pasas.
Y cuando asomas,
suenan todos los ríos
en mi cuerpo, sacuden
el cielo las campanas
y un himno llena el mundo.
Sólo tú y yo,
sólo tú y yo, amor mío,
lo escuchamos.
domingo, maio 14, 2006
NOVO!!!
*Caso as opções não sejam suficientes ou, se você quiser expressar sua opinião,vivemos em um país democrático! COMENTE À VONTADE!
Leia a "Carta ao Zézim", de Caio Fernando Abreu, e responda: "Qual o momento mais importante quando você escreve um texto?!"
domingo, maio 07, 2006
Carta ao Zézim
Caio Fernando Abreu
Ass: Engasgada.
sábado, maio 06, 2006
A carta de Gregória
Glória tal e prazer tăo repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a e queirais, Pastor Divino,
não perder na Vossa ovelha a Vossa glória."
Mãe, feliz dia das mães. Submeto-me às comemorações oportunas ao comércio, embora eu bem saiba que, tão logo passar este segundo domingo de maio, o foco mudará e muitas mães permanecerão ocupando seus lugares entre a mobília.
Não é o seu caso.
Devo dizer que a grana estava curta e este ano não haverá presente embrulhado sobre a cama, rosas, cestas ou homenagens dispendiosas. Não tome esta falta como se representasse outras (falta de amor, por exemplo). Além disso, como sabe, o trabalho e os estudos me consomem. Cansada, mal tenho ânimo para lhe remeter esta carta. Mas a data não passará em branco. Seu presente agora se põe a escrever estas poucas linhas.
Minha Senhora, esta ovelha vem lembrar-lhe que Vossa glória reside na capacidade maternal de abstrair, relevar, perdoar, doar-se e amar incondicionalmente.
Meus erros recorrentes se traduzem em superioridade quando confrontados com Vossa habilidade maternal para compreender todos meus traços de imperfeição.
Não me agradeça.
Um beijo da filha que te ama,
Gregória.
sábado, abril 22, 2006
V = ∆S / ∆t

Continua...
sexta-feira, abril 07, 2006
Fazendo sacanagem...

A menina, 10 anos ou menos, convidou o tio:
- Tio, vamos fazer uma sacanagem?!
O tio se assustou e logo pensou como essas crianças de hoje em dia estão precoces e como isso queima etapas e como é preciso rever a educação das nossas crianças e que a TV é a grande culpada e que os pais estão muito ausentes, porque têm que trabalhar o dia todo para ganhar uma miséria, e que a exploração pelo capital corrói a sociedade, compromete os valores da família e blá blá blá blá...
O pai da menina se aproximou e perguntou qual o motivo da indignação do cunhado.
- Cumpadre, não sabe o que acabo de ouvir da sua filha.
- O que?!
- Ela me disse: "Tio, vamos fazer uma sacanagem?"
- E você esperou que ela terminasse?
O tio balançou a cabeça respondendo que não.
- Então espere ela terminar o convite.
E o tio, constrangido, perguntou para sobrinha qual sacanagem ela queria fazer com ele.
E, com um jeitinho indecente que só as crianças mais puras conseguem ter, a menina respondeu risonha:
- Tio, vamos apertá a campainha do vizinho e saí correndo?
quinta-feira, março 30, 2006
PRESSA

terça-feira, março 14, 2006
"EU TE _ _ _"
Entrego-me ao transe de discorrer sobre algo que não conheço. Surpreso, leitor?! E, por acaso, você conhece? De qual tipo? Sim, há tipos, Vários! Conhece o de Camões? Ou o de Vinicius? Ou, quem sabe, não inventou um tipo novo em suas andanças?! Sem problemas, leitor passivo. Não precisa se abrir. Afinal, quem se expôs ao transe fui eu. Exposição, uma atitude difícil, encantadora. Como um quadro na galeria ou como uma bailarina na caixinha musical é fácil. Desafio-o a tentar a exposição tal qual a de um crooner amador que sempre recebe vaias, mas arrisca-se todas as noites a, quem sabe, ser ovacionado. Afinal, conjugar este famigerado sentimento – você sabe qual – é um desafio para iniciantes e doutores. A última é sempre a primeira vez.

Acostumado a rimar sempre com terminações em “OR”, quase me surpreendi pedindo “Por favor!” Surpreso, leitor?! Pois saiba que esse conjugar complicado não aceita orgulho, tampouco vaidade. Rima-se com “dor” e com “felicidade”. Sim, ao mesmo tempo. Ora, sei sabendo! De ouvir dizer, de ver na TV, de ler nos livros, de ver nos aeroportos, nos portos... Claro, rima-se com partida e chegada, com saudade, com cessão, com sessão... É possível rimar com fantasia, com realidade, com perenidade, com eternidade. Mas, devo confessar, estas últimas rimas me parecem bastante escassas, como me parece escasso o.... Você sabe o quê. Como? Medo? Não! Só não quero falar dele hoje. Por quê? Nada de mais, não quero e não vou. Posso voltar ao meu transe?! Obrigada!
Entre um fogo que arde sem se ver e algo finito posto que é chama? Não sei. Não queria me queimar. Inevitável? Você acha? Mas por que cargas d’água tem porque tem que ser desse jeito masoquista? Você ri? É trágico! Sei, engraçado porque não é você que está na berlinda. Eu sei. Conjuga-lo é colocar-se nela, na berlinda. Sim, “lo” é “ele”. Não adianta, não vou pronunciá-lo. Ainda não. Não hoje. Amanhã, talvez. (MLCM)
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
A madrugada me abriga poeta.
Foge a expectativa de ver Morfeu se aproximar
As palavras entram em ebulição
Pedindo um lugar no papel.
A noite é o jardim onde semeio
Dúvida, anseio e esperança.
A noite me abriga mulher
Me brinca criança.
Quando o silêncio impera
Faz-se euforia interna
Minh’ alma entra em festa
Meus olhos se abrem arregalados
Sou iluminista e revolucionária.
Incendiária, lidero multidões.
Escrevo o manifesto dos loucos
E recito publicamente entre quatro paredes.
Próximo passo: resgatar a sanidade.
À noite, infinita enquanto noite,
O passado me visita
Ganha a forma desafiante da inspiração
Ou se traveste de nostalgia.
Os cães ladram e a carruagem estaciona,
Enquanto dorme a cidade.
Sobra tempo para vestir cada ilusão
E desfilar pelo mármore cristalizado
Construo mil cenários.
Sou múltipla persona, ser fragmentado.
Sambo na ágora, senado boquiaberto.
Sou Baco e Apolo na festa do vinho.
Toureio na Acrópole para as ruínas do Parthenon.
A noite fricciona em minha pele
A aspereza da solidão
E a tez aveludada das possibilidades.
À noite posso perder o ritmo e a rima
Me permito pecadinhos e heresias
E enquanto adormece a Divindade
Posso abdicar das boas maneiras,
Abrir mão do pudor e deslizar na luxúria.
Só o que me freia é a contradição.
Aquela que me alicia, também atemoriza.
Então sinto falta de ombro, mãos e conivência.
É quando durmo, embriagada de sono e ansiedade.
(Malu de Bicicleta)
***
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Jardim
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
A BANCA E O JOGO
domingo, fevereiro 05, 2006
Desafio
Depois dessa montanha (que daqui parece enorme), espero encontrar algumas ladeiras para deslizar feliz. Até os próximos desafios..."
Malu de bicicleta
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Moeda da sorte
Inspirado em "BROWN PENNY" (Moeda Marrom)
by William Butler Yeats
Eu sussurrei: “Sou muito jovem”
E depois: “Envelheci o bastante.”
Então, joguei uma moeda
Para descobrir se eu seria amada
Ah! Moeda da sorte, moeda dourada,
Diga-me onde encontro o amor
Qual o sentido, qual a direção?
Como alcanço sua morada?
“Não escale a montanha vigiando a queda”.
Ah! Moeda dourada, dourada moeda,
Fui seduzida por um ritmo descompassado.
Meu par de novo bateu em retirada.
Como conter minha precipitação para saber o amor?
Como ser sábia e não viver a ansiedade?
O dia chega e flagra meu torpor.
Será o amanhecer um convite à possibilidade?
A música ainda toca ao fundo...
Ah! Moeda da sorte, dourada moeda.
Eu sei, cedo demais para um coração tão contrariado.
Mas esta noite a lua minguou e o tapete negro estava apagado.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
CONVITE
É cedo para você, mas tarde para quem madruga antes das 6.
Quando ele mergulhar e você enfim aparecer
Não vá dizer que não avisei.
Não adianta me culpar pelo estrago que você fez.
Boemia, venha ver o astro rei
Sem essa de sair só depois que a noite ancorar
Deixa de história, para de se enfeitar.
Boemia, ele já está sumindo...
Corre se não vai perder
Deixa pr’a lá o que tiver de fazer
Isso não é ansiedade, tampouco afobação.
Quem lhe chama é a cidade, é São Sebastião.
Boemia, deixa seu tambor um pouco de lado
Vem batucar no meu terreiro
A chamo para ver o espetáculo
Você diz que só no próximo fevereiro.
Boemia, por que espera a festa da carne?!
A comemoração é agora!
Boemia, venha ver o pôr do sol!
Minha cara, que demora!
Já era... ele mergulhou.
Um bêbado se insinua...
Quer lhe pagar uma bebida, fazer uma brincadeira...
A noite é sua, nua, faça bom proveito!
Mas quando o sol escancarar sua bebedeira
Boemia, minha cara, sua graça não terá mais efeito.
MLCM
sexta-feira, janeiro 06, 2006
"Loucura"
"Ela" se destaca mais pela paixão de suas esculturas, pela riqueza de sua percepção do mundo modelada no barro, no bronze... Mas era a "loucura" de Camille Claudel que se fixara na mente de Malu enquanto ouvia a senhora. Aquela mãe contava algumas das alucinações de seu filho, que comemora todo dia o aniversário da irmã e não se alimenta porque seus olhos lhe pregam peças e acusam a existência de bichos em sua comida. A agressividade de um jovem, vítima das seqüelas da dependência química, e o descontrole sobre os instintos sexuais são episódios deprimentes de uma vida esmagada pela loucura.
O que dizer para aquela mãe? O que "Malu no país das maravilhas" pode dizer? Apenas que todos temos nossas "loucuras", nossas alucinações. Malu de bicicleta teme a escuridão. Tenta se convencer do contrário, mas quando confrontada com a imprevisibilidade que há na ausência de luz ela imagina que há pessoas a espreitá-la. Há casos sérios de pessoas que têm graves alucinações ao se apropriar de coisas alheias e afirmarem convictas total inocência no banco dos réus ou das CPIs da vida. Há outros que passam a vida desejando que o fracasso alheio se traduza magicamente em seu sucesso instantâneo. Cadê as camisas de força?! Estariam escassas no grande mercado da impunidade?!
A loucura é algo dolorido - não deixo de imaginar Camille quebrando todo seu ateliê pouco antes de ser internada. Mas também é curioso pensarmos que os loucos de hoje podem ser os gênios criativos, a escultora brilhante, o inventor magnífico... Tudo no magnífico amanhã, o senhor dos contrastes. Para Malu, um reservatório empolgante de possibilidades e um enorme e assustador buraco negro, cheio de imprevisibilidade.
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Licença poética
Até quando vou atravessar os outros como se eu estivesse dentro de um carro olhando a vida correr lá fora e esperando o momento certo de descer? Até quando vou sentir que há um sinal fechado logo ali adiante, justamente em frente àquele lugar onde eu queria dar uma paradinha, e quem sabe ficar um tempo? Até quando vou me cansar de um ano e correr para comprar a agenda do seguinte, tentando recomeçar a viagem que já dura mais de 20 primaveras. Até quando vou fazer questão de me jogar do carro justo nos lugares mais obscuros só para me certificar de que não estou perdendo alguma luz escondidinha e impossível de se ver da homogeneidade retilínea da estrada? Até onde vou ter que ir para encontrar o lugar que estava no cantinho do mapa que rasgou? Até quando vou procurar justamente pelo cantinho rasgado, quando há um mapa enorme indicando novas direções, novas possibilidades? Até quando vou me perguntar “quantos quilômetros faltam?!”? E quantos quilômetros faltam? E aquela sensação de que esqueci de carregar algo para essa viagem? Algo, que não encontrarei em nenhuma parada na beira da estrada, mas que, eu sinto, me fará uma falta enorme! É uma bagagem, uma leitura, um contato, um lugar, uma experiência, uma tentativa, um erro, um desafio, uma bobagem estratégica só para contrastar, só para dispersar... É uma nota, uma melodia, uma história, uma patota, uma farra, “um espinho na mão, um corte no pé”, uma meditação, uma pausa para ir mais longe... Mas onde mesmo?!
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"(Carlos Drummond de Andrade)
Stop!
O carro parou
Ou foi a vida?
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Planície
Assim Malu de bicicleta traduziria seus últimos dias. Longas subidas... Trajetos inclinados, 40, 50°. E o tempo, por aí: 40, 50°... Sede, muita sede. A garganta foi ficando seca, as pontas dos dedos geladas, a visão turva, escura... pow! Desculpem os sonoplastas de plantão, mas essa onomatopéia foi exatamente o tombo. Não o primeiro, apenas um dos muitos. Lá no alto do morro, Malu foi ao chão. Desidratada, torrou sob o sol. O solo recebera seu corpo de forma grosseira, sem a recepção calorosa de um colchão, de uma rede, da areia, da água... Água! Quem dera... O morro se tornou maior, mais alto, parecia alcançar o céu. E por isso faltou pouco para que se assemelhasse com Malu, que quase ia encontrar com o pai sem sequer marcar hora. No alto do morro, ela mirra, morre e ninguém socorre. Triste fim.
Um resquício de consciência e Malu pensa que já havia subido tanto! Já era para ter chegado... Algo estranho acontecia com aquele morro que a cada dez passos se esticava vinte, numa progressão alucinante. Com seu resquício de consciência, já num estado de delírio, aquele chão de terra batida, rachado pelo sol, ficou mais confortável. Uma nuvem cinza e pesada encobriu o sol e fez chover água de banhar e água de beber. Uma brisa um pouco mais atrevida levantou-lhe o vestido que ia até abaixo do joelho. Braços fortes e sadios ergueram seu corpo que parecia ter se separado da alma ao ser suspenso em um único segundo. Daí, mais morro. Morro, morro, morro...
sábado, dezembro 03, 2005
Roda Vida
Roda Vida (Chico Buarque)
“O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração”.
Ela adormeceu um instante e quando voltou nada parava no lugar. A rotação da Terra seguia em passos retardados, débeis como seu sangue... Ela não saiu do lugar em que estava, continuou rodando naquela mesma roda que se soltou da bicicleta, apostando em novos rumos. E, como aquela roda, ela quis também se soltar, deixar seu jeito insosso, ser de carne e osso e rodar... No cotidiano a inércia não admite impulsos e ordena: que tudo permaneça igual, à menos que haja... atrito!
O sangue desacelerou em seu percurso sempre tão frenético, ele sempre tão preocupado em dar tempo, atarefado com a responsabilidade de enxaguar constantemente todo o corpo... Assim foi. Um coração arrebatado permitiu o atraso, ele próprio consentiu em bombear mais devagar... E o sangue deu suas voltas lentamente, retardando todo o resto.
Uma voz ébria aconselhou: “Por hoje deixe rodar, pois amanhã tudo permanecerá como sempre...” Insossamente parado.
No picadeiro, ela foi a atração. Rodou, rodou, se permitiu rodar...
A roda roda,
ela roda
na roda de samba,
o samba roda
ela roda,
bamba, samba...
O improvável é o desconforto, mas é também uma brecha mágica para a fascinante descoberta do inverso, do que é adverso, da falta de verso, de métrica, de rima. Quando a rotação cessa: surpresa! O acaso te surpreendeu mais uma vez.
“Me cobrir de humanidade me fascina...
Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontra um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso...” (Mosca - Zélia)
Malu de bicicleta descobriu que tinha as ferramentas guardadas consigo e consertou ela mesma sua bicicleta. De novo em linha reta, busca seguir viagem... O circo ficou para trás, será?!

