Manira, grande colaboradora que nos visita duas vezes por semana aqui em casa, correu de manhã para ouvir no rádio o resultado da eleição. Comemorou uma mudança: "o negro sempre foi tudo que é ruim". Conto que o "slogan" de Obama é Yes, we can e traduzo, "Sim, nós podemos". "É claro que podemos! Quem é o maior escritor brasileiro? Não é um negro?", pergunta Manira, já com a resposta. Negra, pretinha, de pele macia e dona de um abraço que reenergiza minhas manhãs. Essa é a melhor descrição que posso pensar para ela, que estudou só até a alfabetização. Eu, confesso, me surpreendo pela referência a Machado de Assis. "A gente escuta as coisas..." - responde ela, minimizando sua capacidade de absorção e crítica a respeito dessas "coisas". É interessante que o "nós" seja logo apropriado por Manira como referência aos negros. Mas quem são esse "nós"? "Nós" norte-americanos? "Nós" latino-americanos? Será que também podemos? "Nós" United State of America?
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Engraçado como sempre, em qualquer discurso - inclusive nos filmes tipo Independence Day - os políticos e líderes heróicos enchem a boca ao pronunciar Ameerica, despertando o mais emocionado sentimento de pertencimento e provocando a catarse em aplausos e ovações ao locutor.

200,000 NEGRO MARCHERS DISPERSE IN PEACE 8- WASHIINGTON'S DISCIPLINED DEMONSTRATION PRESIDENT'S EQUAL RIGHTS PLEDGE








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