sábado, fevereiro 27, 2010

Por falar em liberdade...

Mandela: em nome da liberdade

Acabo de ver o documentário sobre a vida desse homem. Um homem apenas. Ele mesmo faz questão de desmistificar sua imagem: "Não sou um santo". Então estas palavras não são sobre santidade, perfeição, modelo ou paradigma. Mas sobre exemplo, um dos muitos, sobre experiências... O documentário é sobre um homem que passou 27 anos na prisão, que foi vítima da política racista do apartheid, e que, valorizando a educação, usou essa arma contra seus opressores, tornando-se o primeiro presidente de uma África do Sul mais igualitária, posta no caminho da reconciliação nacional, da paz interracial. Esse caminho, acabo de ver, não foi um caminho de esquecimento. O passado não precisava ser esquecido, mas precisava ser tornado passado, para nunca mais voltar a ser repetida a opressão entre seres humanos diferenciados pela cor da pele. No final de uma Copa Mundial de Rúgbi, Nelson Mandela vestiu o uniforme da seleção nacional, embora aquele fosse um esporte identificado com o branco, o opressor, o "outro".

Mandela convenceu seus companheiros de luta a aprenderem o idioma do inimigo, o "africâner" - língua do ramo germânico do grupo indo-europeu falada na África do Sul e na Namíbia. Negociou sua verdade no idioma de seu opressor.

Cenas da Truth and Reconciliation Comission me comoveram até as lágrimas. Consistia, entre outras coisas, no diálogo aberto de torturados diante de seus torturadores. Um diálogo sem limites, às claras. A descrição das torturas pelos seus sobreviventes foi feita perante os algozes ou perante aqueles que, por omissão, permitiram que ela ocorresse. Só uma democracia forte resiste às verdades. Ou melhor: uma democracia para tornar-se mais fortalecida exige verdade, transparência. E essa oportunidade foi dada ao país durante aquela transição democrática. A reconciliação não pressupôs empurrar a poeira por debaixo do tapete. Isso porque nenhuma história de silenciamento escapa do "retorno do oprimido", seja ele como for - pela violência declarada ou pelos sintomas de que a violência se fantasia. A história de Mandela, as imagens desse documentário, o ritmo africano - que, aliás, sempre exerceram uma espécie de encantamento sobre mim -; enfim, toda essa carga de emoção desviaram minha rota nesse dia. E quem pode prever o que provocará uma reação dessas? Eu não pude, mas fico satisfeita com o efeito provocado. Questões que me mobilizam atualmente, na forma de reflexões teóricas a serem postas no papel, ganharam esse reforço. A habilidade do negociador Nelson Mandela, sua característica de se opor sob uma tranquilidade invejável, sua postura de homem íntegro, cuja paciência se revestira de persistência.

Herói? Mito? Rótulos apenas, como tantos outros. Apontado no documentário como homem midiático e hábil na arte de comunicar-se, além de sobreviver à prisão, Nelson Mandela sobreviveu aos rótulos.

***

Estas são palavras imbuídas da emoção, da motivação pela estética do documentário. Um amigo outro dia quis contrapor sua própria "ciência" ao meu "tendencioso" encantamento pelas manifestações estéticas. E não é a estética algo político? Que poder tem os cantos africanos entoados pelas vozes femininas em pleno Congresso quando Mandela anuncia seu afastamento da vida política, abdicando de concorrer a um segundo mandato! "Nelson Mandela, Mandela, Mandela", canta a mulher seguida pelos demais presentes. Um outro colega me disse: "Essas são histórias de outra geração, outro tempo, outros valores". Com a afirmação parecia tentar convencer-me de uma defasagem. Não penso assim.

No meio do documentário, lembrei que a Copa deste ano será justamente lá, na África do Sul. Que outra desculpa melhor para nossas professoras daqui levarem para as salas de aula um pouco dessa história? Não como algo do passado, não com o tom saudosista de uma época heróica. Não é disso que se trata. Mas de uma experiência rica em elementos passíveis de comparação (contrastes?) com a nossa própria história. Se o desafio está em atrair a atenção dos mais jovens, em falar numa frequência que os estimule no sentido da valorização do conhecimento, da educação em sentido geral, haverá "gancho" melhor neste ano?!



“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. (John Donne)

"Amandla!"


quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Las paredes que hablan...

O passeio virtual desta semana me levou até o México... Saudades! Encontrei um blog bem legal que convida as pessoas a enviarem registros fotográficos da chamada 'arte de rua', ou seja, é um convite para ouvirmos as vozes ecoadas através de muros e paredes mundo afora. Arte Callejero é um espaço onde de clique em clique somos levados a aguçar nossos olhares diante do prosaico, do cotidiano, das 'vozes' de diversos cantos. Muitas dessas vozes são verdadeiramente oprimidas, virando silêncio, sintoma ou 'grafite'.

Aprofundando a questão...

É muito comum que importantes órgãos vigilantes das condições para liberdade de expressão nos diversos países se levantem em favor da liberdade de imprensa. Contudo, o que percebo algumas vezes é que muitas das manifestações nesse sentido não transpõem o limite restrito da liberdade de "empresas" (jornalísticas ou de entretenimento em geral). Mais que empresas cerceadas em seu direito de veicular os conteúdos desejados, há que se ressaltar a necessidade de indivíduos ou grupos que, destituídos de um veículo adequado, recorrem à indigência da rua para expor sentimentos, frustrações, perseguições, traumas, violências, silêncios, "esquecimentos". São comunicadores anônimos que não se contentam com a representação de suas 'falas' por terceiros, não raro, desvirtuadas. Tratam-se de falas locais, regionais, latino-americanas, indígenas, desapropriadas, exploradas...clandestinas.


Ectasma Torres

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Uma imagem e mil palavras...




Carente de arte, descobri hoje as telas de Alvaro Peña. Uma rápida busca no Google (que sempre se faz necessário) me diz que o artista é espanhol. Suas telas me mostram cenas familiares... Seus traços me 'falam' de uma leveza escassa ultimamente... Escolho o despojar-se de La mujer de azul (acima) ou de La mujer del sillón... imaginando, ao fundo, o som d'El hombre del saxo




terça-feira, dezembro 29, 2009

2010

Nunca teve tanto a ver comigo o trecho que volto a citar aqui. Pularei em 2010 com meu vestido verde de listras douradas. E vejamos que mágica isso vai atrair...

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, novembro 04, 2009

Back up

É irritante o jeito como as pessoas todas parecem saber exatamente para onde estão indo quando caminham pela rua. No centro da cidade, qualquer cidade, ninguém pára de repente tentando lembrar aonde estava indo quando saiu de casa. Ninguém parece questionar porquê exatamente escolhera se dirigir para este ou aquele lugar. E eu me pergunto isso a cada segundo!
Não atravesso de um lado ao outro da rua sem me questionar diversas vezes: será o melhor caminho? E se fosse melhor andar mais um pouco e atravessar naquela esquina ali da frente? São milhares de perguntas a cada minuto. Minuto? Não mesmo! Acho que a cada 30 segundos. Quer dizer, o tempo médio de um comercial na TV. Assim, enquanto alguém está vendendo um produto, as interrogações se multiplicam entre minhas milhões de sinapses.

***
Hoje fui ao aniversário de uma prima. "Dez anos", ela encheu a boca para dizer. Lembro que, já nessa idade, inúmeras questões existenciais ocupavam meus infantis pensamentos. Os pêlos que cresciam; os seios que não cresciam; as férias que chegavam; as que não passavam; a turma que poderia se desfazer no ano seguinte... Uma tragédia em potencial. Sempre prevista, mas que nunca aconteceu de fato. Na verdade, tratei de me prevenir no ano em que a ameaça se tornou mais forte: mudei de colégio com algumas amigas melhores-amigas-da-vida-inteira-que-quase-nunca-vejo.

Fiquei em pé na porta do quarto da minha prima vendo suas coleguinhas interagirem. Estava intimidada, confesso. Com 20 e alguns, olho para as pequenas de dez e já me refiro a elas como "essa nova geração". O "essa" embute um distanciamento enorme! Sinto mesmo que daqui a alguns anos mais vou olhar para "essa nova geração" com o mesmo olhar de curiosidade e estranhamento que meu pai traz nos olhos quando me observa às vezes. Será que meu professor de sociologia da faculdade tinha razão ao afirmar que aos 20 somos incendiários e aos 40 bombeiros? Nunca quis aceitar essa ideia (não é que tiraram o meu acento?). Ainda queria provocar alguns incêndios por aí... Mas me pedem rigor, método, embasamento teórico... E assim o ímpeto quase vira fumaça se não há uma vitalidade qualquer que promova a combustão.

***
Minha mãe teve seu computador danificado por um vírus. Ela acha que não, mas compreendo a dificuldade e o esforço dela em lidar com algo tão abstrato quanto os códigos da tela azul que fala, num relance, de tal uma infecção expressa por letras e números tão ou mais estranhos que a sequência genética de um gafanhoto.

- Essa mídia não é para mim!

Foi uma constatação injusta com ela mesma. E com 'essa mídia' também. Oh McLuhan! O meio é a mensagem? Oh Aníbal! Oh Técnico de Informática. Todos os santos, venham em meu socorro! Eles atenderam. E acho que após um belíssimo back up minha mãe conseguirá superar seus traumas. As perdas foram mínimas. Aos poucos descobrirá que fazer back up está para o século XXI como a atividade dos monges copistas estava para a Idade Média.
***
De volta ao quarto todo rosa da minha prima de segundo grau e suas melhores-amigas-da-vida-inteira (e não venham me dizer que não tem hífen, pois adquiri limitações para assimilar a nova ortografia).
- Eu vou morar em Londres!
- E eu vou morar em Paris!
Dez anos! É isso mesmo?! Sim. E têm modelos de vida, castelos, planos. Os do meu primo, pai da pequena anfitriã, também estão traçados:
- Não vou trabalhar pr'os outros a vida inteira não! Daqui a uns dez anos, quero abrir minha empresa, com as pessoas trabalhando pr'a mim.

Boa sorte, primo!

As pessoas parecem saber exatamente para onde estão indo quando caminham pela rua... Mas eu herdei o desconforto materno, a sensação de estar constantemente deslocada. Solução: back ups constantes...Ontem mesmo atualizei o meu. E você? Está em dia com o seu?













Mario Benedetti

Triste Nº 1

Por la memoria vagamos descalzos
seguimos el garabato de la lluvia
hasta la tristeza que es el hogar destino
la tristeza almacena los desastres del alma
o sea lo mejorcito de nosotros mismos
digamos esperanzas sacrificios amores.

A la tristeza no hay quien la despoje
es transparente como un rayo de luna
fiel a determinadas alegrías.

Nacemos tristes y morimos tristes
pero en el entretiempo amamos cuerpos
cuya triste belleza es un milagro.

Vamos descalzos en peregrinación
triste tristeza llena eres de gracia
tu savia dulce nos acepta tristes.

El garabato de la lluvia nos conduce
hasta el hogar destino que siempre has sido
tristeza enamorada y clandestina

Y allí rodeada de tus frágiles dogmas
de tus lágrimas secas / de tu siglo de sueños
nos abrazas como anticipo del placer.

segunda-feira, setembro 28, 2009

segunda-feira, setembro 21, 2009

Bibi canta Piaf (Teatro João Caetano - 19 de setembro)

Foto de MªLuiza Muniz

A imagem é do Real Gabinete Português de Leitura em noite iluminada por Bibi Ferreira e por Edith Piaf . O Rio estava um pouco Paris no último sábado... Ou melhor, eu diria que é do Rio de Janeiro ser um pouco de cada coisa; um pouco Paris, um pouco Lisboa, um pouco Buenos Aires, um pouco Lima, um pouco Luanda... Como diz um autor que agora integra minhas referências bibliográficas, essa "volubilidade é condição humana, é feição pessoal e é característica brasileira".

sexta-feira, setembro 18, 2009

Nos(otros) o el jardín del vecino

No último dia 7, quando cheguei a Córdoba (Argentina), parei para o café da manhã na Confeitaria y Panadería Independencia. Pedi uma medialuna, um capuccino e o jornal veio como cortesia da casa aos fregueses. O jornal Ámbito Financeiro trazia na capa a seguinte notícia economico-futebolística:




Detalhe:






Pág. 3





quarta-feira, setembro 16, 2009

domingo, setembro 13, 2009

No te salves - Mario Benedetti

Por que não escolher o caminho mais fácil?
Porque aos 20 e tantos não há salvação em buscar apenas o equilíbrio e a constância das coisas...
Abaixo, o poema do mestre Benedetti na interpretação de Miguel Angel Solá
No te salves - Mario Benedetti

No te quedes inmóvil
al borde del camino
no congeles el júbilo
no quieras con desgana
no te salves ahora
ni nunca
no te salves
no te llenes de calma
no reserves del mundo
sólo un rincón tranquilo
no dejes caer los párpados
pesados como juicios
no te quedes sin labios
no te duermas sin sueño
no te pienses sin sangre
no te juzgues sin tiempo
pero si
pese a todo
no puedes evitarlo
y congelas el júbilo
y quieres con desgana
y te salvas ahora
y te llenas de calma
y reservas del mundo
sólo un rincón tranquilo
y dejas caer los párpados
pesados como juicios
y te secas sin labios
y te duermes sin sueño
y te piensas sin sangre
y te juzgas sin tiempo
y te quedas inmóvil
al borde del camino
y te salvas
entonces
no te quedes conmigo.




sábado, setembro 12, 2009

Trailer - South of the Border

Aspas

"Dirán que nosotros somos los subdesarrollados, pero no lo crean" (Theotonio dos Santos, Buenos Aires - ALAS 2009)

Novela e Sociologia

Um professor de Sociologia me dizia que as novelas podem ser matéria-prima para compreensão de uma sociedade ou das representações que são feitas sobre ela. O último capítulo de Caminho das Índias, exibido ontem, dá um bom exemplo dessa suposta função das tramas televisivas.

***

Uma criança vai ao Juíz para anular seu casamento com o noivo indesejado. É abordada pela autora Glória Perez a tradição indiana do casamento arranjado entre crianças, apesar de leis contrárias. Bom, a jovenzinha de traquejos adultos consegue anular o matrimônio e corre para contar a novidade ao amigo dalit, um excluído sem casta.

Ela comemora, pois poderá escolher, no futuro, "um marido instruído e moderno". O pequeno dalit expressa seu desejo de ser o escolhido e sonda suas chances após alcançar as qualidades destacadas pela jovem de casta superior. Pela fala do pretendente, com suas prentensões de enriquecimento, "ganhar dinheiro" é igual a ser "instruído e moderno". A aceitação é imediata e um 'pacto de amor' é feito entre os pequenos de diferentes castas.

Interessante como a distinção originária do berço (a diferença de castas) é trocada por outra, caracterizada pelo dinheiro, ou seja, pela posição econômica do jovem pretendente. O mesmo valendo para sua versão adulta, representada pelo ator/apresentador Márcio Garcia. Fica a idéia de que a superação de uma distinção se dá pela criação de outra; vale dizer que a nova forma de diferenciação é racionalizada para parecer tão normal e natural quanto a que pretende substituir.

O marido moderno é oposto ao marido atrasado. Assim como a nova e moderna forma de diferenciação entre pessoas (ou pretendentes) se sobrepõe àquela outra, atrasada. Somos o que conseguimos conquistar com nosso esforço diário, segundo a máxima do self made man. E o 'fracasso' é sempre resultado de pouco empenho pessoal e nunca de condições econômicas estruturais, injustas e desiguais. Afinal, somos todos iguais perante a lei dos homens (e de Deus).

The end! Ou melhor, Fim.
***
21 de setembro de 2009
Comentário da Priscila, que veio pedalar por aqui e aproveitou para deixar sua opinião sobre a crítica sociológica (sim, e por que não?) do último capítulo de Caminho das Índias...
Gostaria de dar minha humilde opinião sobre o texto Novela e Sociologia no seu blog: Concordo totalmente com seu professor que uma análise das novelas pode auxiliar e muito na compreensão de nossa sociedade. Quando a personagem Anusha diz querer um marido "instruído e moderno" acredito que seja um homem instruído academicamente e moderno segundo às tradições indianas. Ter dinheiro não tem o mesmo significado de ser "instruído e moderno", pelo menos para os indianos. Existem dalits ricos e brahmanes pobres na Índia. Dinheiro e casta não tem o mesmo valor por lá. A personagem de Hari, o menino dalit, é pretendente de Anusha há muitos capítulos não por uma promessa mas porque os dois assim o desejam. A instrução acadêmica é um requisito para o "pacto de amor" porque a educação é muito importante para os indianos. E ser moderno vai por tabela porque um dalit que respeitas as tradições aceita resignado o seu "destino" e nunca se casaria com uma vaishya. O sistema de castas não é substituído pelo nosso das classes sociais, constituído pelo dinheiro. Os dois são cruéis, mas existem em ambas sociedades. A personagem de Márcio Garcia considero um pouco diferente. Um dalit educado no Ocidente, só entende sua condição na Índia sob o prisma ecônomico. Acredita que será aceito quando tiver dinheiro, o que não acontece. Depois crê que a inclusão se dará pelo casamento com uma mulher de casta e rica, mas em nenhum momento Glória realiza esse desejo dele. Se essa diferenciação pelo dinheiro fosse a utilizada pela Glória Perez, Maya se casaria com Bahuan logo nos primeiros capítulos, porque os dois tinham posses. Até acredito que na sinopse original ela teria dado esse final feliz para os dois, mas não sei de que forma. Seriam ricos porque não sei se você percebeu, mas ao contrário da família dalit, todos do núcleo indiano eram ricos, inclusive o Bahuan (Márcio Garcia). Mas provavelmente morariam no Brasil ou na Inglaterra, porque na Índia sempre seriam dalits independente da conta bancária. Sou noveleira há muito tempo e com minha formação em História, pude perceber melhor essas nuances na narrativa dos autores. Discordo de alguns pontos da obra da Glória Perez como a caricatura que ela faz de algumas personagens, mas acho que ela é uma das poucas escritoras/escritores que tratam o universo de outras culturas com tanto respeito. Aliás ela é historiadora. Beijocas, Priscila .

quinta-feira, agosto 13, 2009

terça-feira, agosto 11, 2009

Os leitores

Teología y periodismo
"Dice el teólogo que el conocimiento filosófico es individual, mientras que la fe exige al otro: es tradición. En algo lleva razón: creer es confiar, lo contrario de pensar. Pensar es osar pensar y pensar por uno mismo.

A veces hay que mezclar la teología con el periodismo. El bueno siempre parte del pensar de sus lectores. El otro, el espurio, vive del creer y de la credibilidad acumulada." (Lluís Bassets)

http://blogs.elpais.com/lluis_bassets/2009/08/teolog%C3%ADa-y-periodismo.html

sexta-feira, agosto 07, 2009

E depois de resistir?

Comunicación que no comunica

A partir de los suicidios en empresas generados por las condiciones de trabajo, Mela Bosch advierte sobre los riesgos que surgen cuando “la comunicación no comunica” e informa sobre la reivindicación de los sindicatos europeos en la materia.
Por Mela Bosch *
Desde Milán

El 14 de julio de 2009 es una fecha histórica para Francia. Es el día del suicidio número 18 en 18 meses entre los empleados de Telecom. En una carta a su familia que ha sido publicada por diarios de diferente signo político, como Le Monde, France Soir y Libération, un hombre de 51 años de Marsella dice más que explícitamente: “Yo me suicido a causa de mi trabajo en Telecom”. Menciona como factores “la urgencia permanente” y “la sobrecarga de trabajo”.

En “C’est dans l’air” (Está en el aire), uno de los programas televisivos de debate de más audiencia de la TV5, la preocupación por el malestar de Sarkozy dejó espacio a este malestar, quizá no tan taquillero a nivel mundial pero mucho más significativo.

Y no es para menos. Sólo en Telecom Francia, empresa de la cual el Estado es el accionista mayoritario y que emplea a más de cien mil personas, desde el inicio de la crisis económica se han producido 18 suicidios y 10 tentativas. En Renault ha habido tres suicidios y otros tantos en pequeñas empresas del interior, como el caso del delegado obrero de una fábrica de cerámica que no pudo evitar que sus compañeros terminaran en la calle.

El Ministerio de Trabajo, según anunció su titular, Xavier Bertrand, está llevando una investigación nacional sobre el estrés laboral para identificar los sectores más expuestos. Esta decisión se tomó a partir de un informe sobre los riesgos psicosociales en el trabajo, elaborado por un equipo coordinado por el magistrado Philippe Nasse y el médico psiquiatra Patrick Légeron. Este último hizo notar que la fragilidad es mayor entre los trabajadores del área de servicios y en especial en el sector comercial de las telecomunicaciones, sujetas a lo que el suicida marsellés llamó en su nota póstuma: “administración por medio del terror”. Se trata de una forma de gestión que se basa en la competencia permanente entre los funcionarios y que estimula el aislamiento frente a la computadora, a la vez que usa la humillación y la desvalorización como formas de castigo pasivo hacia quienes no producen de acuerdo con los objetivos de ventas exigidos, especialmente en un momento en que la recesión hace que estos objetivos resulten irreales e inaccesibles.

Los expertos del gobierno proponen lanzar una campaña de información para los directores de las empresas y los trabajadores sobre sus derechos en cuanto a condiciones de trabajo, lo cual resulta casi banal en medio de lo devastador de la situación. El médico y psiquiatra Légeron precisó en el programa televisivo que la crisis empezó siendo financiera, se hizo económica y terminará siendo sanitaria. Y es algo para tener en cuenta, si consideramos que desde el inicio de la crisis en Francia el suicidio por estrés laboral ha producido más víctimas que la gripe A (el 30 de julio se produjo la primera víctima, una niña de 14 años que padecía de una enfermedad grave).

Pero, por otra parte, es para valorar que en una sociedad individualista y frustrada por la crisis aparezcan nuevos valores y recursos en el campo de las luchas sociales. A partir de esa muerte del 14 de julio, sindicatos, comisiones obreras y de empleados de servicios y de telecomunicaciones han lanzado una revolucionaria reivindicación: considerar el suicidio como accidente de trabajo y hacer responsables a las empresas cuando esté claramente identificada la causa. Es revolucionario porque implica dar un nuevo enfoque a la seguridad en el trabajo, considerando dentro de los riesgos y la violencia en el ambiente laboral también los aspectos psicológicos, morales y de dignidad humana que involucran los despidos masivos, el aislamiento frente a la computadora y la competitividad despiadada entre compañeros. Un indispensable paso en el triste camino a recorrer para mitigar la impotencia y el dolor a las familias de las víctimas de las políticas liberales, que intentan cubrir su fracaso e ineficacia echando a sus trabajadores o exigiendo metas imposibles.

* Consultora lingüística. Docente on line de la Cátedra Tecnologías en Comunicación Social de la Facultad de Periodismo de la UNLP (Universidad Nacional de La Plata).

quinta-feira, agosto 06, 2009

Cambiando de mundo...

Um amigo me disse hoje que deve morar em Angola pelo próximo ano. Outro está procurando um inquilino para eu 'cafofo' em Copacaba (R$ 1.200,00 "com tudo incluído" - fiz a propaganda e quero minha parte...). Enquanto uns partem, outros se (re)encontram.

"O máximo que eu conseguia com ele era me lembrar de você". Um terceiro amigo reinaugura uma história de amor ao som dessas palavras, ditas por uma "ex", futura "atual". Antes, porém, meu amigo terá a difícil tarefa de comunicar a reviravolta da trama para a terceira ponta do triângulo. O ponto de virada é o retorno do romance passado, que agora pede para ser presente e futuro. Tudo junto. Isso significa um ponto final súbito no roteiro que vinha sendo rascunhado com capricho. O que me lembra aqueles fins estranhos de novelas com baixo índice de aprovação. Imagine se Machado de Assis escrevesse orientado pela divindade Ibope: será que Dom Casmurro correria o risco de terminar com um final feliz? Seria um desastre para nossa literatura!
Então, quem disse que os finais tem que ser sempre felizes, meu caro amigo?

"Ela tem um poder de fogo nos olhos que vai acabar comigo", disse ele, preocupado com o momento em que o triângulo terá que ser desfeito. Lembro-o daquela namorada, à época da faculdade. Tento defender a tese do "tudo passa"... "Ela era estranha", uma provocação. Trazia um botão fechado no lugar dos lábios. Sorrisos? Não cheguei a presenciar. Meu amigo conta que naquela época o namoro já estava desgastado. Mas um dia a moça havia sido atraente aos seus olhos: "Ela era a única menina que lia e pintava o cabelo de vermelho. Depois o tempo foi ingrato e ela acabou perdendo a graça para mim".

***
Comecei a escrever pretendendo fazer uma breve introdução. Lá se foi a brevidade em troca da fofoca... Enfim, o poema abaixo é de um uruguaio, falecido recentemente, que sabia como ninguém expressar essas coisas que versam sobre corações e finais. No poema com o qual me deparei há pouco, Mario Benedetti é certeiro com sua metonímia.
Assim que o poeta morreu no início do ano, recebi as seguintes palavras: "Mario Benedetti foi um dos últimos poetas a que me apresentaram e que valeu a pena conhecer (...) Apresentar um poeta a uma pessoa é coisa muito generosa. (Tanto, que às vezes, a gente até se engana com um gesto desses.) Gosto dos poucos versos dele que li. E gosto muito de você por, entre outras razões, fazer com que a gente leia coisas dessas na vida." São palavras de quem, longe, parece permancer. Ok, que seja...

Cuando la poesía

Cuando la poesía abre sus puertas
uno siente que el tiempo nos abraza
una verdad gratuita y novedosa
renueva nuestro manso alrededor
cuando la poesía abre sus puertas
todo cambia y cambiamos con el cambio

todos traemos desde nuestra infancia
uno o dos versos que son como un lema
y los guardamos en nuestra memoria
como una reserva que nos hace bien

cuando la poesía abre sus puertas
es como si cambiáramos de mundo.

*Poema inédito de la obra en marcha de título provisional: Biografía para encontrarme

In process...



Acima, mais um estágio de uma obra não terminada. Na parte lisa (que acabei transformando num grande vazio com cor-de-burro-quando-foge) ainda pretendo ousar, colocando em prática umas idéias que há semanas passam aqui pela cabeça. Jeans e contorções... Linhas de lã... Bom, como pretendido, o branco entre as partes coloridas deu um realce ao conjunto...