quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Arte com o jardim do vizinho...

Esta é minha primeira tela pintada inteiramente com pincéis e com tinta a óleo! Na verdade, ela foi feita em duas partes. Assim que terminei a primeira, fiz a foto que segue logo abaixo. Mas ainda senti que faltava jogar na telaum pouco mais de 'confusão'. Portanto, a versão final é a das duas últimas fotos. O nome do quadro é Verdes jardins.

E a versão acabada! Só não vale chorar pela tinta derramada :(




terça-feira, fevereiro 24, 2009

"Perfis"

MLCM
Tinta guache sobre cartolina - "Perfis"

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

"Casal de cor"




Eis mais uma obra da artista "amadora"! Sem pudores, resolvi brincar com as cores e ângulos ao fotografar o quadro e postá-lo, dando uma valorizada no casal... Aqui, estão dois dos resultados que mais gostei.


Casal de cor não segue o 'padrão' que vinha estabelecendo, de pinturas soltas e sem uma forma muito definida. Resolvi ousar e percebi como é difícil colocar no papel as imagens que passam pela cabeça.


Inicialmente, em Casal de cor aparecia a mulher de frente (pena que não fotografei esse estágio!). Mas não consegui dar a ela uma feição que me agradasse. Tentei de várias formas fazer os olhos, boca e nariz. O resultado era sempre uma mulher triste ou com uma cara de esnobe (sobrancelhas! aí está o truque, que ainda não sei). Enfim, depois de várias tentativas (pensei até em deixá-la sem rosto, repetindo a obra anterior), resolvi que a mulher estaria de costas. E dá-lhe preto da tela!

Já o homem não me deu trabalho. Apenas seus cabelos longos, que surgiram após um traço equivocado. Solução: alongar as madeixas do rapaz. Até que gostei!

Bom, Casal de cor (com o "ó" aberto) é o quarto quadro que pinto com as mãos (os pincéis estão pela hora da morte!). É uma entre as muitas tentativas que venho fazendo para avançar no mundo das tintas, das misturas e, para mim, das viagens por cenários múltiplos. Cada quadro é isso: uma verdadeira viagem, para quem quer aprender de cor que em qualquer caminho "amar é o que basta" (licença para citá-lo, ok?). MLCM



P.S.: Saber de cor - quem ama algo, não o esquece. Portanto, quem sabe algo de coração, vai lembrar-se disso para sempre. "Saber de cor" provém daí.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Laranja mecânica

...e pensei que, desde que me apaixonei por você, talvez seja movida pela mecânica de amar... Não a mecânica que rege os relógios, sempre os mesmos tempos para os mesmo espaços, mas uma mecânica livre, que às vezes pede pausa e em outras movimento.

MLCM

terça-feira, fevereiro 10, 2009

'Mulher sem rosto e taça de vinho tinto'


Artista: MLCM
Tinta guache - pintado à mão.
Primeira obra do velho-novo movimento da printura contemporânea, Catarsentela

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Mais um dia 10...


B.


BRILHA NO CÉU ESSA ESTRELA SOZINHA

RELUZ LÁ LONGE COMO PROMESSA

E, NESTE CHÃO DE TERRA ESPESSA,

NOITE VIRA DIA

O ESCURO VIRA CLARO,

CASO VOCÊ APAREÇA.

ORA, E SE TUDO INVERTE,

SOL DE NOITE, ESTRELA DE DIA...

TORÇO POR DIAS MAIS CURTOS E LOGO

AMANHEÇO EM SUA COMPANHIA.

domingo, fevereiro 01, 2009

O tempo (por B.C.)

O tempo, minha amada, é castigo para quem vive do presente. Mas o castigo é ainda maior para quem não tem o presente.

Você ficou 25 anos assim, sem o dia pós dia. Hoje, quando você acordou, me coloquei no seu lugar. Os olhos girando para todos os lados, em busca de uma referência que te prendesse a esse novo presente. Uma referência que a fizesse perceber que o tempo de abstração involuntária perante o mundo realmente chegara ao fim. Acho que me decepcionaria. Os seus sonhos deviam se passar em um tempo onde as coisas eram mais simples.

Olhando nos meus olhos, você finalmente percebeu que, lá no fundo, apesar da confusão gerada pelos pêlos na face, pelas leves rugas nos cantos dos olhos, pelo cabelo desgrenhado com as marcas das preocupações colecionadas ao longo de mais de duas décadas, eu era aquele seu amigo de outrora. Espero que acredite em tudo que vou te contar a partir de agora.

Em 1984, quando você adormeceu, a lógica do big brother, fundada pelo Orwell, era mais amena. Hoje virou programa de televisão, virou doutrina estabelecida na maior nação do mundo. Virou CPI, virou paranóia nos celulares (não sabe o que é isso, né? Depois te explico isso e a Internet, com aulas práticas...) de quem tem algo a dever à sociedade.

Minha amada, naquela época ainda lutávamos contra o que restava de um autoritarismo institucional. Nossa vitória não veio no primeiro momento. As instituições ainda conseguiram derrotar a maior das instituições - o povo - uma vez mais. Mas elas trataram de amenizar a própria estupidez e nos permitiram, cinco anos depois, que escolhêssemos um presidente.

Ah, presidentes... Esses foram destaque. Você não sabe, mas há duas semanas um negro, com descendência muçulmana e africana, assumiu o governo dos Estados Unidos da América. Sim, Ronald Reagan, o bonitão de Hollywood, ficou restrito aos livros de história. O nome do negro é Barack Hussein Obama. Nada hollywoodiano, hã?

Se você já está supresa, deite-se novamente. Nosso primeiro presidente eleito pela vontade do povo foi um bonitão, promissor. Fernando Collor de Mello. Você acredita que ele não durou nem dois anos no cargo? Foi derrubado. Calma! Não foi golpe. Dessa vez, as instituições cumpriram a "vontade do povo". Depois do autoritarismo, seguia uma era de corrupção. A sigla CPI virou moda no Brasil. Comissão Parlamentar de Inquérito. Deputados e senadores investigando até mesmo seus pares e outros figurões do governo.

Pois muito que bem. Tivemos um presidente tampão, cuja ação mais famosa foi reativar a linha de produção dos Fuscas no Brasil. Em seguida, um outro presidente, muito conhecido seu, assumiu. Lembra dele? O Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo, que falava sobre a dependência externa brasileira. Pois o sujeito privatizou quase tudo no Brasil. Sabe o que é privatizar? Vendeu as empresas estatais. O Estado, o famoso Estado, foi se encolhendo.

Mas, há quase sete anos, o Brasil teve o seu Barack Obama. Elegemos um torneiro-mecânico, sem instrução, presidente. Mais um daquela nossa época. O Lula! Sim, o sindicalista! Ele é o presidente do Brasil!

Mas, calma... O Brasil não virou mais um aliado do Kremlin no quintal dos Estados Unidos. O Kremlin não é mais o mesmo. A União Soviética acabou. O comunismo perdeu. Lula, o radical, hoje veste ternos de primeira linha, tem cabelos brancos e barba bem aparada. Um gentleman do povo.

Bom, sobre guerras, mortes e intolerâncias, te falo mais tarde. Você ainda está muito fragilizada para ouvir tudo isso. Mas, saiba logo: o mundo continua não sendo um lugar muito simples para viver. Mas ficar de olhos fechados é muito desperdício diante de tantas novidades, não acha?

Calendário

- Esse calendário que você me deu está com defeito. A saudade é crônica e ainda faltam três semanas!
- O tempo, minha amada, é castigo para quem vive do presente. E alento para quem vive do futuro. Escolha sua opção... Amo presente e futuramente.


segunda-feira, janeiro 26, 2009

P.S.:


"Se é verdade que estamos todos sós no mundo, então também é verdade que estamos juntos nisso"

Frase do filme P.S.: Eu te amo


Foto: por MLCM, feita com o celular de BMLC - Icaraí, Niterói (RJ).
25 de janeiro de 2009

Palavras

...e me ama, como eu nunca conheci, completa e intensamente, com as expectativas de um futuro já existente no horizonte. Só a espera de nós dois...

domingo, janeiro 11, 2009

O mirante da Dona Marta




A "morena de Angola", a doceira do Engenho e o Pão de Açúcar

terça-feira, dezembro 16, 2008

Folha de laranja e cotovelo

Ok, meu amigo, não vou desprezar sua dor. Já vi coisa parecida algumas vezes e sei como essas coisas dominam sentimento e razão, fazendo ambos se confundirem no espaço da memória. Sei que as manhãs fazem falta e que seu teatro das reais carícias e regalias para a mulher amada está vazio desde que a personagem principal deixou o palco das primaveras contínuas. Sinto não ser mais útil, já que só posso oferecer meus ouvidos e condolências. O último parece atrair a palavra "enterro" e não acredito que seja o caso. Não ainda. Vele essa dor que agora sente, mas não vele o amor porque este não morreu ainda. Ameaça transformar-se. E isso, também sei, é tristeza ainda maior para os amantes que não desejam tornarem-se apenas amigos. Este seu oráculo tem pouco a sugerir. Se o mal fosse essa gripe que agora me atinge, aconselharia folha de laranja, ‘alfavacão’ e capim limão batidos no liquidificador com mel. Não é receita infalível, mas aplaca os efeitos que agora deixam meu corpo e mente anestesiados para os compromissos do dia a dia. Mas sendo dor de amor, é vírus para o qual, lamento, não encontro receita. O único modo que conheço para lidar com esses sintomas que o mal traz é curtir o momento em banho-maria com uma mão sustentando o cotovelo e a outra a cabeça. Esta deve continuar sobre o pescoço, aquele é bom que não encoste diretamente sobre a mesa. Pode ficar grudado ali por um bom tempo e é outro efeito que não desejaria para um amigo tão querido. Bom, coloque no lugar cabeça e cotovelo. Caso algumas lágrimas queiram escorrer, não prenda. Elas rolarão mais cedo ou mais tarde. E como já aprendi em situações anteriores: quando elas querem partir, é melhor permitir sem resistências. Não há tranca capaz de retê-las e todas as válvulas as ajudarão a escapar. No mais, tente o chá de folha de laranja quentinho. Não fazendo bem, mal não fará. Estarei aqui, com ouvidos e condolências. De resto, consulte o Tempo...






I heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this, the fourth, the fifth, the minor fall, the major lift, the baffled king composing Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Your faith was strong but you needed proof, you saw her bathing on the roof, her beauty in the moonlight overthrew you
She tied you to a kitchen chair, she broke your throne, she cut your hair, and from your lips she drew the Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Maybe I have been here before, I know this room; I have walked this floor, I used to live alone before I knew you
I've seen your flag on the marble arch, love is not a victory march, it's a cold and its a broken Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

There was a time you let me know whats really going on below, but now you never show it to me, do you? (and)
Remember when I moved in you; the holy dark was moving too, and every breath we drew was Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu----jah

Maybe there's a God above, and all I ever learned from love was how to shoot at someone who outdrew you
And its not a cry you can hear at night, its not somebody who's seen the light, its a cold and its a broken Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu--jah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelu---u---jah

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Elephant gun ou Um desafio

Desafio o caro leitor deste blog a não querer dançar, rodopiar e saltitar ao ver este clipe da banda Beirut (http://www.beirutband.com/) Uma delícia de melodia! Quem vencer o desafio, na verdade, estará perdendo... Sim, já me entreguei ao som por aqui. Uma mini-catarse não faz mal a ninguém.





***

If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun*
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide

**elephant gun: é uma arma de calibre largo. Ela tem esse nome porque originalmente eram feitas para uso de caçadores de elefantes ou outras caças perigosas.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

terça-feira, novembro 18, 2008

Fora de contexto ou Depois de amanhã

te amo
te adoro
te cama
te lençol
te chão
te salada
te nado
te remo
te mimo
te memo

MLCM

domingo, novembro 09, 2008

No corredor...

Domingo - almoço (tarde) - aniversário da vizinha

As visitas vão sendo recebidas no corredor... Abre-se a porta do elevador.

- Ahahahahaha! - é a irmã animada - Dudu, que saudade!
- Cortou mais o cabelo? - a aniversariante.

Sem resposta. Pergunta retórica.

Minutos depois...

Vozes de crianças no corredor.

- Olha, fica na quadra! Vou ficar olhado daqui de cima.

O controle da tia aniversariante.

Risos e vozes desencontradas das crianças no corredor.

- Não é melhor deixar o chinelo aqui? - a tia consulta.
- Sim.
-Você quer fazer xixi?
- Não.

Chega o elevador.

- Sétimo andar. Desceeendo - a acessorista eletrônica informa.

As crianças descem. Corredor em silêncio.

sábado, novembro 08, 2008

São Paulo, 18ºC

"Andar por essas ruas sem você é como ir à praia sem sol..." (B.C.)

quarta-feira, novembro 05, 2008

O simbólico é a mais forte realidade

Madrugada de 5 de novembro de 2008 - Barack Obama, eleito presidente dos Estados Unidos da América, discursa para cerca de 1 milhão de pessoas: "If there is anyone out there who still doubts that America is a place where all things are possible; who still wonders if the dream of our founders is alive in our time; who still questions the power of our democracy, tonight is your answer."
***

Manira, grande colaboradora que nos visita duas vezes por semana aqui em casa, correu de manhã para ouvir no rádio o resultado da eleição. Comemorou uma mudança: "o negro sempre foi tudo que é ruim". Conto que o "slogan" de Obama é Yes, we can e traduzo, "Sim, nós podemos". "É claro que podemos! Quem é o maior escritor brasileiro? Não é um negro?", pergunta Manira, já com a resposta. Negra, pretinha, de pele macia e dona de um abraço que reenergiza minhas manhãs. Essa é a melhor descrição que posso pensar para ela, que estudou só até a alfabetização. Eu, confesso, me surpreendo pela referência a Machado de Assis. "A gente escuta as coisas..." - responde ela, minimizando sua capacidade de absorção e crítica a respeito dessas "coisas". É interessante que o "nós" seja logo apropriado por Manira como referência aos negros. Mas quem são esse "nós"? "Nós" norte-americanos? "Nós" latino-americanos? Será que também podemos? "Nós" United State of America?

***

Engraçado como sempre, em qualquer discurso - inclusive nos filmes tipo Independence Day - os políticos e líderes heróicos enchem a boca ao pronunciar Ameerica, despertando o mais emocionado sentimento de pertencimento e provocando a catarse em aplausos e ovações ao locutor.

***
Ligo o rádio, a televisão, e escuto relatos inflamados por todo o mundo: "O primeiro presidente negro..." Alguns ao meu redor não foram contagiados pela "onda Obama", como destacam os meios de comunicação. Falava há pouco com um colega ao telefone. Entre os que preferem sequer entrar nesse mar de entusiasmo pela eleição do homem "mais importante do mundo" (Malu de Bicicleta apud Jornal Nacional) ser negro, ele me diz que apenas por seu valor simbólico a escolha de Obama merece algum entusiasmo. E pergunto: o simbólico não é real? Meu colega diz que não e, como de costume, discordamos. Sem grandes expectativas (elas nunca são boa companhia para mim) fico com a realidade contagiante do simbólico. Quanto aos próximos quatro anos... A política continua sua rotina de meios e fins, nacional e internacionalmente. Não acredito em grandes milagres, mas não me culpem por ficar otimista.




"TIMES" - 1963

200,000 NEGRO MARCHERS DISPERSE IN PEACE 8- WASHIINGTON'S DISCIPLINED DEMONSTRATION PRESIDENT'S EQUAL RIGHTS PLEDGE


200,000 Negro Marchers Disperse In Peace - From Our Own Correspondent WASHINGTON, AuG. 28 The largest Negro demonstration for freedom since the abolition of slavery took place here peacefully today. More than 200,000, according to police esti- mates, came in a vast but orderly throng to the Lincoln Memorial to demand freedom now. Away from the Mall, Washington was a deserted city. The whites stayed at home, offices were empty, bars closed, and military policemen took over the downtown street crossings. Outside, some thousands of troops in complete battle order stood by. They might as well have stayed in barracks. Although the crowd was twice as large as was expected, and long after the march got under way special buses and trains were still arriving from every part of the country, there was a complete absence of tension. SOLEMN IMPRESSION At times the demonstration sounded remarkably like an inter-Church assem- bly,- and there were probably more priests and clergymen present than in Rome. The assembly of rabbis could have shamed Tel Aviv and the Gandhi caps of the volunteer marshals served only to remind those with long memories how different this was from other demonstrations. In the words of Mr. Roy Wilkins, of the National Associa- tion for the Advancement of Coloured People, it was a great day. The demonstration got under way today with a middle-class decorum rufled only occasionally by religious fervour and political activism. Neither the folk singers, mostly white, nor the inevitable cranks dented in any way the solemn impression made by tens of thousands of decent Americans exercising their right of assembly to demand freedom for millions of their countrymen. They had come a long way since the first freedom buses were burnt by white mobs, since southern policemen had turned dogs and fire hoses on them. Since one of their leaders was shot in the back. The activists were there, youngsters in sweat shirts and jeans, many only recently out of gaol, but the vast majority were ordinary, conventionally dressed Americans whose faces happened to be black. FAMILY GROUPS Their collective respectability was almost overpowering: clergymen, dependable looking men in business suits, motherly ladies in flowery hats, and youngsters dressed for an Ivy League campus. Handsome girls, well dressed and with a determined look, old men in clean dungarees, trade unionists, youthful seminarists. and family groups bur- dened with picnic luncheons-never could there have been a more unrevolutionary assembly-not since the days of the Good Lord, one clergyman added when your Correspondent searched for a comparison. It was this respectability combined with quiet determination that made the demonstration so impressive. There were relatively few onlookers, at least in the early hours. to witness it, but the television networks cleared their programmes of much of the usual junk and soap operas to carry the impression from coast to coast. PROPERTY OWNERS The young Negro activists practised non-violence; the thought of it was obviously too abhorrent to those family men and property owners. They began to assemble at the Washington Monument, within sight of the White House, slowly from their special buses. Many first went to church in deserted downtown Washington, and, obeying the directions of their own marshals, looked for the rallying points of their groups: the National Council of Churches, the Lower East Side of New York Council of Religion and Race. the Committee of Christian Conference of New Canaan, Connecticut, and similar groups from Berkeley, California, Youngstown, Ohio. and Charleston, South Carolina. CLASPED HANDS There were many whites-clergymen and rabbis, and also many well-dressed people of the kind seen at country clubs. A few looked as if they had come from Newport or some other fashionable watering place. There were also many youngsters who if they had been born in England would rally to the C.N.D. and march from Aldermaston. All wore badges showing clasped black and white hands, and some carried banners with the legend " Freedom in '63 " or small national flags. As the huge meadow filled up enter-, tainers sang freedom songs or recited rather turgid prose. Groups sitting on the grass sang or hummed their own Song5 Just before noon the signal was given and they began to march slowly down Constitution and Independence Avenues to the Lincoln Memorial. They marched about 20 abreast, right across the broad streets, to the music of the inevitable brass bands. There were picket signs with demands for freedom. jobs, housing, and schools. " JOHN BROWN'S BODY" The police had requested that there should be no singing during the march. but to try to stop an American Negro singing in such circumstances is like trying to stop a lark from flying on a clear morning. Many sang John Brown's Body " as they marched slowly in two broad streams to the statue of the great emancipator. At the memorial the breadth and depth of the movement became evident. and after the Roman Catholic Archbishop of Washington had given the invocation the urgency showed through the middle class respectability. Miss Marian Anderson and Miss Mahalia Jackson sang spirituals, and a message was read from Mr. James Farmer, of the Council of Racial Equality, who is languishing in a Louisiana gaol. Mr. John Lewis, of the Students' Non-Violent Coordination Committee, said: "We are tired of being beaten by police. We are tired of being gaoled. How long can we be patient ? We want our freedom, and we want it now." "ALL THIS WILL END" The response from the throng was immediate, but it remained sober and gave at least equal attention to the economics speeches. The harshness of Negro unemployment, twice the national rate, can be more painful than the limitations on freedom. The Rev. Martin Luther King, said: "Five score years ago the great Ameri- can in whose shadow we stand today signed the emancipation proclamation. . . . One hundred years later the Negro is still crippled by the manacles of segregation and the chains of discriminaticn. He still lives in the corner of American society and finds himself an exile in his own land. We come here today to dramatize this shameful situation. .. we have also come to this hallowed spot to remind America of the fierce urgency of now. "Go back to Mississippi. Go back to Alabama. Go back to Georgia, to Louisiana, and the northern slums. Go back knowing that all this will end one day. We will hew hope out of the mountain of despair. Let freedom ring." The 200.000 seemed transported and as in hundreds of Negro churches throughout the south they responded to every period with " yes, oh Lord, let freedom ring ". The mass emotion was almost tangible and perhaps for some whites insufferable, but the middle class discipine held and after a final prayer the crowd melted away and the leaders went to the White House to petition President Kennedy as earlier they bad petitioned congressional leaders.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Questão de confiança e a política dos afetos no mercado

"A crise financeira só será contida quando a confiança entre os agentes for restaurada. A confiança não é um bem ou um serviço que possa ser fornecido somente pelo livre jogo das forças de oferta e procura dos agentes privados. Esse é o equívoco dos que defendem radical desregulamentação."

ANDRÉ FRANCO MONTORO FILHO, 64, doutor em economia pela Universidade Yale, é professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP e presidente do Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial). Foi secretário de Economia e Planejamento de São Paulo (1995 a 2002) e presidente do BNDES (1985 a 1988) / 24 de outubro - Opinião - Folha de S. Paulo.

quarta-feira, outubro 22, 2008

As aspas

- Tio Weber, isso é carisma?
"Quando chega o fim do ano um quer um tênis, um quer uma calça. E o dinheiro não dá. Você vai ter que, em vez de dar uma calça, dar uma bermuda mais barata para um e, em vez de dar uma meia que venha até o joelho, dar uma meia pequenininha. É sempre um cobertor que não dá para cobrir o pé e a cabeça", afirmou.
¨Sobre seu otimismo, ele disse que não poderia agir diferente. "Imagina visitar no hospital um companheiro que está em fase terminal, sentar na beira da cama e falar: "Ó, ontem morreu um cara igualzinho'".

presidente Luis Inácio Lula da Silva na Folha de hoje (22/ outubro)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Idade

Idade

Se eu tivesse a idade da espontaneidade
não treinava minhas falas
nem media o assunto.

Se eu tivesse idade,
viajava sem malas
para Machu Picchu ou Maputo

Se eu tivesse a idade,
não calculava tributo,
não media escalas
nem tabelava a usura

- Ora! Mas, quem diz que espontaneidade
tem idade, erra por ignorância
ou poda pela censura.

Maria Luiza Muniz

quarta-feira, outubro 15, 2008

Enquanto não vens...

"Sinto, porém, que existe alegria no meu pensamento, sabendo que vens. E desejo que o dia de hoje passe. E queria gastar a minha vida mais depressa, pra que desde já fosse amanhã".

A Anna pegou da Cecília Meireles e me deu. Eu repasso para você.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Um brinde à poesia...

Na semana passada, estive com um grupo que costuma se reunir para recitar e ouvir poesia. O título deste post é o mesmo dado ao encontro. Poderia ser também Um brinde à pausa e cairia muito bem... Pois foi, para mim, um momento de pausa nessas questões urgentíssimas que nos ocupam (que me ocupam, ao menos). Uns segundos suspensos no ar, flutuando numa atmosfera de palavras. Então, tim tim! E vamos beber a poesia.

Este poema abaixo foi recitado por uma senhora muito simpática, cujo nome não memorizei, mas guardei a delizadeza e harmonia expressas em gestos e voz.

Da inversão de tudo - Cesar de Araujo

Há dias em que as cadeiras sentam na gente
as águas se lavam com nosso rosto
é a noite iluminando a luz.

Quem sabe a verdade
o inverso de tudo?

Inferno de inverno
encontro um homem
sorrindo verão.
Contei a dezenas
não me entenderam
não acreditaram.

Há dias em que as coisas ficariam bem
se estivessem ao contrário:
as árvores a plantar-nos
a estrada a andar em ti
a contemplar-me o sol.

Nós frutificaríamos
darias passagem
eu amanheceria.

terça-feira, julho 29, 2008

As 'vozes' de Buenos Aires... (algumas)


Eis alguns registros de visita recente à capital argentina. Fico devendo mais palavras...

sexta-feira, julho 11, 2008

quinta-feira, julho 03, 2008

Primavera con una esquina rota - Mário Benedetti

"¿Te das cuenta de que te extraño? Pese a mi capacidad de adaptación, que no es poca, ésta es una de las faltas a las que ni mi ánimo ni mi cuerpo se han acostumbrado. Al menos, hasta hoy. ¿Legaré a habituarme? No lo creo. ¿Vos te habituaste?"

terça-feira, julho 01, 2008

Vem...

De lá do meio do mundo ele saiu, mas não chegou ainda.
Pergunto-me nessas horas lentas, em qual dia essa saudade finda?

segunda-feira, junho 30, 2008

Vai-e-vem

"Entre nós, mesmo quando avança, a história carrega as marcas do atraso e deixa de cumprir promessas que acumulou. "

(Fernando Barros e Silva, hoje na Folha de S. Paulo, parafraseando um jovem sociólogo dos anos 60)

sexta-feira, junho 27, 2008

Alice no país das maravilhas!

"A cama de Alice está num lugar quando ela vai dormir e noutro quando ela acorda"

segunda-feira, junho 16, 2008

Mi México...



fotos: Malu de Bicicleta (Pintura exposta na casa-Museu de Leon Trotski, uma senhora na feira de Chapala e o "trio" sobre a mesa do restaurante)

quinta-feira, junho 12, 2008

Eco eco eco eco...

"...a comunicação só é digerida se aquele que a emite é capaz de colocar-se na altura daquele que ouve".

"Alguém que é feliz a vida toda é um cretino. Por isso, antes de ser feliz, prefiro se inquieto"

"A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal".


Umberto Eco

domingo, junho 08, 2008

Uma pausa para você...

Suas obviedades me são essenciais...

segunda-feira, junho 02, 2008

"Amar es combatir, si dos se besan
el mundo cambia, encarnan los deseos,
el pensamiento encarna, brotan alas
en las espaldas del esclavo, el mundo
es real y tangible, el vino es vino,
el pan vuelve a saber, el agua es agua,
amar es combatir, es abrir puertas,
dejar de ser fantasma con un número
a perpetua cadena condenado
por un amo sin rostro"

Octavio Paz (Mixcoac, México, 1914-1998 )

quinta-feira, maio 29, 2008

Mario Benedetti (e Malu de Bicicleta) - Amor da tarde

"É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente e dizer "e aí?" e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono."

***

É uma pena você não poder estar comigo
quando olho no relógio e ainda são duas
Você podia chegar de repente e dizer "surpresa!" e ficaríamos
eu iluminada com o azul-verde dos seus olhos
e você com as marcas vermelhas do meu apetite.

segunda-feira, maio 05, 2008

Mais para 'pêssego' que para hortelã

Ao final da apresentação da dançarina Eva Yerbabuena no Teatro Municipal do Rio de Janeiro um grupo maravilhado com a 'degustação' do flamenco molhado e denso compartilhava palpites: "Acho que as letras falam de um lamento..." Entre o lamento e a peleja, aposta de outros, os pouco mais de 60 minutos de espetáculo arrancaram "Olé!" da platéia e fizeram certos pés tremerem no espaço apertado das galerias (não sei como foi lá embaixo...). Embora a estratificação econômica, tal qual no Coliseu, deixe os menos abastardos longe da arena, não acredito que também haja estratificação emocional. Galerias e camarotes pareceram vibrar com a agilidade e precisão das batidas de pés e mãos. "Olé!"

***

Receita:

Mojito
1 dose de rum branco

Suco de 1 limão

1 colher (chá) de açúcar

Club soda para completar o copo

4 folhas de yerbabuena (ou hortelã)


Amassar levemente as folhas e o açúcar com um amassador. Acrescentar o suco de limão e encher o copo com gelo picado. Adicionar o rum e completar com a soda. Decorar com um ramo da folha e servir com canudo e mexedor. Servir em copo long drink.

sábado, abril 26, 2008

Pressa...

Esta citação pode precisar de contexto , mas deixo para depois...

Tio Luiz:

- Vou devagar, porque devagar também é pressa...

terça-feira, abril 15, 2008

Os segundos e e os dias ...

Quantos segundos há em um dia?!

Não façam cálculos. Não é de números que eu estou falando...

domingo, abril 13, 2008

No melhor dos mundos possíveis...

Após muitas e incontáveis desgraças, o caminho de Cândido e Cunegundes para a América...



"Durante toda a travessia, refletiram bastante sobre a filosofia do pobre Pangloss. "Estamos indo para outro universo, dizia Cândido, deve ser nele que tudo está bem. Pois temos que confessar que se poderia gemer (reclamar) um pouco do que acontece no nosso na (esfera) física e na moral. - Eu o amo do fundo do meu coração, dizia Cunegundes, mas minha alma ainda está agitada com tudo que vi, tudo que senti. - Tudo vai correr bem, replicava Cândido; o mar deste novo mundo já vale mais que os mares da nossa Europa; é mais calmo, os ventos mais constantes. É sem dúvida o novo mundo que é o melhor dos universos possíveis. - Deus queira! dizia Cunegundes (...)"




Trecho do livro Cândido ou O otimista, de Voltaire.

terça-feira, abril 08, 2008

"Fundamental é mesmo o amor..."

O homem é pois naturalmente político, o que significa que há na sua natureza uma tendência a viver em cidades, e que ao realizar essa tendência o homem tende ao seu próprio bem. Eis o motivo pelo qual é difícil imaginar "solitário o homem perfeitamente feliz; ninguém, de fato, escolheria possuir todos os bens desde mundo pra usufruir deles sozinho, pois o homem é um ser político e naturalmente feito para viver em sociedade" (Ética, Aristóteles em Aristóteles e a Política de Francis Wolff).


"... é impossível ser feliz sozinho."

segunda-feira, abril 07, 2008

Há controvérsias...

"... procurar em todo o conhecimento um resultado que não seja o próprio conhecimento, e exigir que o conhecimento seja útil, é atitude de quem ignora completamente a distância que separa desde o início as coisas boas das coisas necessárias; elas se situam em extremos opostos".

Aristóteles, Protrepticus.

domingo, abril 06, 2008

Equilíbrio

Em algum filme desse domingo que já é ontem...

- Me sinto como se estivesse prestes a espirrar e segurando uma xícara de café quente com uma das mãos.

quarta-feira, abril 02, 2008

Do homem que escreve sem pausas...

Roubei a citação do blog de um amigo que há tempos não vejo, mas sei que estamos conectados...

"E sinto coisas tão boas, Luciano, ondas de energia claras que me sobem Kundalini acima – e então penso que está certo assim, na nossa sede infinita (Drummond) acreditar e levar porrada mas voltar a acreditar e cair do cavalo e não deixar de acreditar e se desenganar e se arrebentar mas continuar acreditando que, de alguma forma, há alguma resposta de humano para humano. E que amar o humano do outro é aceitar e amar teu próprio humano, e que esse é o único jeito, o único way-out possível: procurar no humano do outro a saída do nosso próprio humano sem solução. E na minha memória, amar os pés nus do meu amor na minha blusa roxa. Ou o beijo na boca na escadaria. E pouco importar que tudo tenha sido ou continue sendo fantasia ou carência, porque é assim que as coisas são, e é através disso – e só disso, venusiano total – que posso crescer, e então quero crescer, e não me importo nem um pouco de voltar e acreditar e de ficar todo acesso e mais delicado para olhar as coisas, qualquer coisa." (Caio Fernando Abreu)

terça-feira, março 25, 2008

O mosquito da dengue

Manira pensa que o mosquito da dengue não existe. Há alguns anos escuta as pessoas falando do tal mosquito e sua família inteira já foi vítima da infeliz picada. Mas ela não acredita e ponto. Acha que é desculpa que os governos inventam para repassarem a culpa pela falta de investimentos em saúde. Tentei convencê-la a tomar os cuidados necessários com o argumento de que "se bem não fizer, mal também não fará". Ela não se deu por vencida, mas prometeu seguir a advertência.

Cá entre nós, fiquei me perguntando se Manira não estaria certa e o mosquito da dengue seria como esses entes imaginários que aparecem em determinada época do ano ou em determinadas regiões... Saci, boto, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa. Ah! Esse último sai da lista. Com certeza ele existe! Eu acredito! (Rá! Isso ficou parecendo campanha eleitoral estadunidense.)

domingo, março 16, 2008

Garotas de Guantánamo

Maria Bethania e Omara Portuondo (Caneção, 16 de março de 2008)

Guantanamera

Wikipédia: Guantanamera é uma das mais célebres canções da música cubana, de autoria de Jose Fernandez Diaz. Guantanamera significa garota de Guantánamo, cidade do sudoeste de Cuba. A música data de 1963 e uma das gravações mais conhecidas é do grupo Sandpipers.


sexta-feira, março 14, 2008

O Fico

Maria Luiza Muniz
(resposta ao poema Me voy)

Eu fico. Não que inexista um destino.
É só porque minhas viagens, neste enquanto, são internas.
Eu fico esperando o momento de novamente
Envolver-te entre meus braços e pernas.
Eu fico com minhas hipóteses e metodologias
Fico com essa prótese de coração, cópia fiel.
Cuide bem da original em sua bagagem
Entre o kit de sonhos e camisa social.
Eu fico riscando o calendário duas vezes por dia
Para ver se alcanço mais rápido o seguinte...
Eu fico com nossas fotos e suas cartas.
Fico tentando casar sua letra e voz na minha memória.
Fico com a História, a Política, a Comunicação...
Vivo a prática diária das Ciências Humanas
E com a desumana carência da nossa práxis.
Fico, mas para declarar minha dependência
De lábios e toques, de corpos e atrito.
Digo ao povo que Fico.
...aguardando o grito da nossa doce inconfidência.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O meu primeiro espanhol

El Horizonte y la Aurora

Maria Luiza Muniz

Despiértame, amor!
Cuando yo esté sola
Despiértame con tu calor
O con palabras de cariño
Que se retiene hasta cuando
Ellas te piden para salir.
Despiértame, amor!
Ya es temprano y es temprano
Que las cosas empiezan a ocurrir…
Despiértame, amor, con un sueño
Y, por favor, sin sonido!
No tardes más, ni al menos los dos días
Que nos separan ahora
Despiértame, amor!
Que hoy me llamo Aurora
Y tú vas a llamarse Horizonte.
Tan luego digas mi nombre
Voy a acostarme junto a ti.
Despiértame, que necesito vivir!
Y traiga un café, por favor,
Corto, como la vida, amor.

***
nota da autora: Ainda estou tentando domar o idioma...

nota da "tradutora":
cor.to, -a adj 1 curto, breve, escasso, deficitário. 2 fig limitado, curto de inteligência, de talento, pouco instruído. sm café puro, café concentrado. a la corta o a la larga cedo ou tarde. corto de vista míope. quedarse corto não encontrar palavras para explicar um fato real.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008


Metades




Delicados como se não quisessem consumir todo o tempo
Harmoniosos como se desde sempre
Modelados um sob o vazio do outro
Silenciosos como se buscassem frear instintos
Turbulentos quando a regra é não conter
Coreografados como um corpo bailarino
Espontâneos como a necessidade requer
Inocentes qual pipa e menino
Lascivos como batom, vermelho e mulher
Individuais como as pedras de um lago
Encaixados como as peças de um lego
Cheios de vontade ego saudade apego



MLCM

Poema-espelho



Pies hermosos


La mujer que tiene los pies hermosos
nunca podrá ser fea
mansa suele subirle la belleza
por totillos pantorrillas y muslos
demorarse en el pubisque siempre ha estado más allá de todo canon
rodear el ombligo como a uno de esos timbres
que si se les presiona tocan para elisa
reivindicar los lúbricos pezones a la espera
entreabir los labios sin pronunciar saliva
y dejarse querer por los ojos espejo
la mujer que tiene los pies hermosos
sabe vagabundear por la tristeza.



Mario Benedetti

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Meu Girassol


Com uma cicatriz no pescoço é mais fácil perceber que se tem pouco tempo para duvidar da felicidade. Percebe-se quanto pode ser passageiro esse instante intocável de precioso desequilíbrio de emoções. Quando se ganha alguns pontos, percebe-se com mais frieza quanto é fácil perder outros tantos em um lance mal ponderado. Aquela linha definitiva traçada bem no meio do seu pescoço lembra a você o quanto irrevogáveis começam a serem algumas sentenças. Infelizmente, só nos damos conta de que somos adultos quando já tomamos umas dez decisões irreversíveis. Por isso, uma linha no pescoço é a marca que me faz pensar no que é definitivo e em tudo que se faz passageiro se não valorizado na hora certa... (Maria Luiza Muniz)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

É carnaval!!!


X
Razão
(presente de Charles Rodrigues e patota)

Um olhar. Um simples olhar...
Formas de ver a vida,
Vidas de diversas formas
Nelas, uma inesperada completude
Um aviso, um lampejo, uma atitude
Instantes de mudança
Um bolo doido de bonança...
Mas seguem os pensamentos
Alegrias, buscas, tormentos
As últimas conquistas..
As novas aquisições:
Um livro, um beijo, um perdão...
E a cabeça gira, não pára, pira,
Mira, além da nossa compreensão
Saímos, ficamos, voltamos
Notamos as conquistas
Mas sempre retornamos ao nosso canto
Nosso encanto, nossas brigas, nosso chão
Aquele ínfimo mundinho
Onde cabe a nossa razão!

terça-feira, janeiro 29, 2008

Do tamanho de uma cereja

“O diabo não é diabo porque é vermelho, mas porque é velho”. Foi com uma frase mais ou menos assim que o cirurgião de cabeça e pescoço – especialidade que minha mãe repete como se assim minimizasse suas angústias pelo caroço aqui no meu centro de controle – me corrigiu, sugerindo que eu não subestimasse os conhecimentos maternos oriundos de experiências sacudidas em um saquinho como moedas preciosas. Minha herança. Pois um dia, talvez, eu faça uso delas e troque por um bilhete para a terra das conquistas pré-concebidas. Esse destino imaginário não é casual.

Tem a ver com o filme que vi agora pouco e ainda com alguns pensamentos que vieram me atrapalhar o sono nesta última noite. Não são muito novos esses meus lamentos pós-aniversário ao fim de janeiro. Acho que por isso deixei de curtir alguns bons carnavais. Já quando avançava pela adolescência ficava pensando se os colegas da minha nova turminha seriam os mesmos que os do ano anterior. Alguém novo perturbaria o equilíbrio alcançado a duras penas entre a patota? Torcia para que as mudanças não fossem drásticas e chegava a ter pesadelos com o primeiro dia de aula.


Cena 1 – Sala de aula – manhã - Volta às aulas

Ela entra na sala e não reconhece ninguém. A câmera vai passando por cada um dos novos amigos (?) ou potenciais inimigos que cochicham entre si sem muito cuidado em disfarçar que ela é o alvo dos comentários irônicos e curiosos.


Isso nunca aconteceu. Sempre que eu chegava na sala meus coleguinhas estavam lá, alguns saudosos, outros nem tanto. Quando notava presenças estranhas entre os meus velhos e cativos conhecidos da turma 54, 64, 74, 84... Bom, qualquer ave estranha no ninho logo era atraída por uma versão minha das mais simpáticas e carismáticas; a mesma que em alguns minutos pode vir a se tornar meio chata e até inoportuna (a Anna adora me advertir quanto a isso...). Enfim, tudo isso para dizer que finais de janeiro sempre foram um pouco melancólicos com repetidos saldos calculados entre as expectativas e as conquistas dos últimos anos. Esse não está sendo diferente, incluindo uma dose de pirraça comigo mesma por notar que meus avanços (sim, consigo percebê-los, embora seja um tanto complicado mensurá-los) aportam sempre com alguns anos de retardo. E eis que surgem aquelas ínguas irritantes em forma de perguntas: Por que eu não fiz isso quando eu tinha 10 anos? Passam os anos e só o que mudam são os dígitos... Por que não aos 14, 15, 18, 20, 22... A lógica processual do amadurecimento me inerva e me coloca sempre disposta a “recuperar o tempo perdido”.



Recuperar a dívida com a literatura! Recuperar a dívida com os clássicos do cinema, da arte, da História, da cultura nacional! Aprender mais sobre jazz, blues e afins! Ler, ler, ler! Recuperar minha dívida com as atividades físicas: mens sana in corpore sano. Amém! Recuperar minha dívida com os conhecimentos atuais. O mundo gira, minha filha! Ah! Já ia me esquecendo da dívida com o futuro! Rá! Um mundo de coisas e dois braços que parecem encurtar enquanto vejo distâncias alimentadas com fermento e tônico.

É curioso que no meio desse turbilhão de dívidas imaginárias eu me torne uma credora de mim mesma e esteja prestes a declarar moratória por uma simples pedra no meio do caminho. Eis que a pausa se impõe. Há uma pedra no meio do pescoço, no meio do pescoço há uma pedra... Na altura da glândula que comanda uma produção hormonal em série, hereditariamente comprometida. Essa glândula desponta como a credora que se opõe a minha ânsia por controle do tempo que o tempo precisa para passar e fazer amadurecer.

sábado, janeiro 05, 2008

O caminho da roça...


Ao norte do estado do Rio de Janeiro, Minas. Muriaé, a uma distância de 21 km do asfalto, segundo rumores bastante confiáveis.
A beleza de alguns espaços fotos não são capazes de registrar e palavras deixam muito a desejar...
O lugar é daqueles que o som dos bichos é despertador, rede é balanço e terra é provedora direta e sem agrotóxicos.
As pessoas se esbarram com um "Tarrde" bem puxado e simpático... Isso se é tarde. "Dia" se for hora de "bom dia". E "Ôpa" se for de ôpa.
Vaca tem apelido carinhoso: Pretinha, Carmesina, Mascarada. E algumas parecem mesmo aquelas que vemos nas caixinhas do leite industrializado.
Seu Enésio, morador antigo, reclama das artimanhas fabris que elevam o preço do leite retirado por ele e outros cooperativados direto da fonte. O homem passa dos 70 e tem catarata nos olhos azuis como o céu, que faz fronteira com as serrinhas verdes daquelas bandas. Desconhece o poder inflacionante do sujeito chamado atravessador.
A vista de pouco alcance é compensada pelo que sua memória lhe informa... O campo está esvaziado...
Êxodo e cercas figuram a paisagem de hoje. Além das botas de cano alto daqueles que despertam antes do galo para testar a máxima metropolitana "em se plantando tudo dá".

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Natal com Bethânia...

"Eu sei que atrás desse universo de aparências,das diferenças todas, a esperança é preservada.Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido. Mas existe uma palavra que não suporto ouvir e dela não me conformo. Eu acredito em tudo, mas quero você agora! Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas, minha vida. Eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas. Amo o teu jogo triste e as tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo. Eu amo a tua alegria mesmo fora de si, te amo pela tua essência e te amo até pelo que você podia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te rebanhado nas águas do equívoco. Te amo nas horas infernais e na vida sem tempo... Te amo pelas crianças e futuras rugas. Te amo pelas tuas ilusões perdidas e teus sonhos inúteis... Amo teu sistema de vida e morte, te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras e te amo desde os teus pés até o que te escapa. Te amo de alma para alma e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defendo quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis, quando o próprio amor vacila."

Por Maria Bethânia em Maricotinha - Autor desconhecido

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Jogo de palavras

Outro dia estava com alguns colegas brincando com palavras. Embora fosse minha primeira vez e desconhecesse as regras, fiz bonito! Eu estava em último lugar e na última rodada formei sobre o tabuleiro uma palavra de quatro letras que me rendeu pontuação recorde.

"Gozo é uma ilha no Mar Mediterrâneo, parte da República de Malta, e a segunda maior ilha em extensão territorial do arquipélago que forma aquele país. Tem área de 67 km² e população de 30.750 em 2003. Sua principal cidade é Rabat, também chamada Victoria. É uma diocese católica independente. A ilha tornou-se despovoada em 1551 quando toda a população de aproximadamente 6.000 habitantes foi escravizada por soldados otomanos e piratas muçulmanos." Fonte: Wikipédia



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E ao sul do Equador, eis uma outra ilha...

Sobradinho (BA): um pedacinho de terra cercada de interesses por todos os lados...



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Fome Zero - 22º dia


Greve de fome facilita o ataque de infecções

REPORTAGEM DA REDAÇÃO LOCAL


Infecções, perda do músculo cardíaco, alterações no sistema digestivo e problemas nas articulações. Essas são algumas das consequências que a greve de fome pode trazer para o ser humano. Segundo especialistas, desde que esteja se hidratando, o indivíduo que se submete ao jejum sobrevive até dois meses sem nenhum tipo de alimentação. No entanto, os resultados graves para a saúde são sentidos a partir do trigésimo dia.Quando uma pessoa pára de se alimentar, sem deixar de ingerir água, o gasto energético diminui de forma significativa, segundo o nutrólogo Durval Ribas Filho. "É o mecanismo de defesa do organismo", disse. Nesse período, o indivíduo fica mais exposto a infeccções e gripes.Desde o segundo dia de jejum, o corpo usa dois meios para obter energia, segundo o biólogo e professor de bioquímica médica da UnB (Universidade de Brasília) Marcelo Hermes-Lima. O organismo quebra proteínas dos músculos, que são transformadas em aminoácidos. No fígado, esses aminoácidos são convertidos em glicose. O fígado exporta a glicose para o sangue, que volta a alimentar os tecidos, principalmente o cérebro. Em paralelo, o corpo também usa a gordura do tecido adiposo para fornecer energia."Durante o período de jejum prolongado o indivíduo perde, em parte, a capacidade de absorção intestinal por falta de uso do tubo digestório", disse o professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Osmar Monte. (AFONSO BENITES E LARISSA GUIMARÃES)




"Acusam-me de inimigo da democracia por estar em jejum e oração combatendo um projeto do governo federal autoritário, falacioso e retrógrado, que é o da transposição de águas do rio São Francisco. "
(Dom Luiz Flávio Cappio, carta publicada na Folha de São Paulo há alguns dias...)

quinta-feira, dezembro 06, 2007

São Francisco e vovó

"É uma agressão tremenda", disse ele, "já que faz parte do instinto humano a preservação da vida. Só tendo uma convicção espiritual muito forte podemos vencer o instinto. Os quatro primeiros dias são insuportáveis e muito dolorosos porque se tem a expectativa do organismo pelo alimento que deve receber, que vem de fora. Depois disso o organismo está psicologicamente preparado, pois sabe que não vai receber nada e passa a se autoconsumir. Você não sente tanto a necessidade do alimento, mas o enfraquecimento é visível e cada vez mais você percebe a debilidade em seu corpo. Começa a faltar a memória e aparecem as dificuldades de se locomover. Depois fiquei sabendo que, pelas previsões médicas, eu agüentaria apenas mais dez dias."

Trecho da entrevista de dom Luiz à revista "Estudos Avançados" da USP ("O São Francisco, a razão e a loucura", jan./abr./ 2006, www.iea.usp.br/iea/revista) sobre sua primeira greve de fome para sensibilizar o governo a rever o projeto de transposição do Rio São Francisco.


Fracassado em sua primeira tentativa, dom Luiz iniciou há 10 dias uma nova greve de fome, promentendo chegar às últimas conseqüências em defesa do São Francisco.


***
Conversas com vovó...
Relembrando seus tempos de escola, vovó mostra que sua memória está bem viva! Com seus 80 e tais anos, ela guarda decoradinho o trajeto do São Francisco. E declama, como poesia ou tabuada:
- Nasce na serra da Canastra em Minas Gerais. Atravessa Minas e Bahia. Divide Bahia de Pernambuco, Pernambuco de Alagoas, Alagoas de Sergipe e desemboca no Oceano Atlântico.
Tão fofinha! Será que conto para ela sobre a possibilidade de alteração nos seus versinhos tão bem memorizados. Talvez vovó não fique tão decepcionada, afinal é para saciar a sede dos filhos da seca. A menos que junto com a transposição das águas ocorra a transposição de interesses... Nada novo...

sexta-feira, novembro 23, 2007

Conversas (e memórias) com vovó

Vovó anda carente. Hoje fiz uma visita e conversamos um pouco... Assunto preferido dela: meu (s) (ex)namorado (s). Entre nossas conversas vovó sempre deixa escapar algumas de suas memórias...

- Quantos namorados você já teve?
- Três, vó!
- Tudo isso?!
- Não é muito. Estou conhecendo pessoas... Até um dia, quem sabe, conhecer aquele que vai ser mais especial.
- E como você vai saber se é "ele"?
- Ué, vó. Isso você que tem que me dizer... No final, a gente encontra?
- Não. A gente se engana...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Comédia (à dois) da vida privada...

- Querido, você não é romântico... Queria que você falasse coisas bonitas, românticas... Sobre a lua no céu, sei lá...
- Falar sobre a lua no céu... Correto. Cadê a lua? - procura, procura e... - Cadê a porra da lua?

sábado, novembro 03, 2007

"Eles"

Quando chega a manhã, sempre encontro
uma razão irresistível para ir vê-la
E antes de me dar por conta, estou ao pé dela
Ora é ela quem me diz à noite:
"Amanhã virás, não é?"
Quem seria capaz de recusar.?!

***
Ele vive entre o ceder e o resistir
Se esquece, moço inquieto,
Que mesmo as margens mais opressoras
impõem ao rio apenas um único desafio: fluir.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Sendo, co-sendo e descosendo...

La Maja vestida - Francisco de Goya
Museo del Prado



Sou mais eu quando não estou aqui. Acho que em seus braços sou um pouco eu também. Mas sou mais a projeção do que você espera de mim. Sou mais eu quando estou além-mar ou em pátrias outras. Longe de todos que amo e da recíproca verdadeira faz mais sentido ser aquela que persigo aqui dentro. Naqueles lugares em que sou desconhecida, tudo me revela mais do que aqui, onde já vim transparente demais e preciso me armar com máscaras e pudores. Pois, que seja! Vou sendo no “onde” que houver, cada momento de uma vez... E agora, momento em que não encontro espaço para ser além de rotina e leitura, vou sendo e co-sendo bem devagar e em sua companhia. Mas, de noite, desfaço o bordado para permanecer mais tempo aqui, quem sabe ao seu lado. Quem sabe... (M.L.C.M.)


La Maja desnuda - Francisco de Goya

segunda-feira, outubro 15, 2007

Roubos

Sem pudor, roubei esta citação de um blog alheio, como faço quando gosto de alguma coisa... Não, não sou cleptomaníaca. Isso se restringe às citações e a outros bens não materiais. Nada de atentar contra a propriedade privada, te asseguro John Locke.
Segue...
"A descoberta da mulher de nossas vidas funciona como uma boneca russa. Você tem que ir abrindo cada uma delas, uma escondida dentro da outra, até chegar à última. Mas você nunca sabe qual é a última boneca até chegar nela. E às vezes ficamos com medo de ver se ainda há outra boneca escondida dentro daquela que a gente julga ser a última." (Filme Bonecas Russas)
Pois, sigamos todos na descoberta deliciosa do outro, dia após dia...
***
"O presente me exige doses cavalares de racionalismo".
Por mais que a Anna me diga ser anti-ético se citar, gostei desta frase que surgiu no comentário do Firulas.
Aliás, aproveito para mais um roubo...
Sábado, Setembro 22, 2007

Um retrato cretino da esperança
Quando ela saiu, fez questão de levar a chave e deixá-lo trancado em casa. Disse para esperá-la, que voltava, e que trazia pão fresquinho e carinho. Que esperasse. Depois, bateu na casa de cada vizinho e convenceu a todos que deveriam sair dali. Que era melhor, e que não se preocupassem, que ela chamava a empresa de demolição. Derrubou-se todo sinal de moradia num raio de quilômetros, até onde a vista dele alcançava. Dedetizou a região; mataram-se as pragas, e junto com elas simpáticas formigas, grilos, gatos e marias-sem-vergonha. Depois, calou o vento e os pássaros. Em seguida, mandou apagar o sol, e desintegrar a lua. Voltou um tempo depois, e parou em frente à casa trancada. Sem ar que vibrasse as suas palavras, teve que passar um bilhete por baixo da porta. Avisava que demoraria mais um pouco, que era um imprevisto, que esperasse. Despedia-se com um beijo, cheio de promessas. Depois, fez queimar o bilhete, e a si mesma.Que esperasse.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Pontaria

Você que me fala de outras vidas
Você que me fala de vôos altos
Você com quem compartilho deliciosas biografias
Como pode me dizer que só tenho uma bala em meu revólver?

Não introduza sua interpelação com questões racionais
Pois ,enquanto escrevo, descarto a métrica decartiana
Pois, enquanto escrevo, quero apenas pensar plural
Pois escrevo, e isso é “mirar apontar e fogo!”

Meu amigo, que tanto prezo, não me prive de suas perguntas cruéis
Elas me fazem pensar, ajustam o foco da minha pontaria
Mas não me diga que não posso atirar...
E, acredite, não falo inspirada por utopia ou inocência estúpida


Não vê que já saí da caverna há tempos!
Já aprendi a enxergar além de umbigo e sombras
Ao pesar cada "apesar" reconheço um foco de luz...
Que emerge da urgência, mas é caminho e não carência

quinta-feira, outubro 11, 2007

Gramsci e a manicure

Enquanto entregou as unhas, lia algumas páginas do Intelectuais e a Organização da Cultura. A manicure, dedicada à tarefa orgânica de cuidar de seus quatro filhos e marido, seguia em silêncio. Uma com seu livro e a outra em seu sua tesoura, lixa e alicate. Uma com o livro que tomara emprestado do professor da faculdade. A outra com seus próprios meios de produção.

Lá pela metade da cutícula do mindinho da mão esquerda, a manicure já sentia falta do diálogo, sempre tão farto entre ela e suas clientes. Sem conter a língüa, disparou sem piedade sua pergunta, antes de aplicar uma dose sequer de anestesia. Como se arrancasse um bife daqueles enormes, lançou:


- Este livro responde as tuas perguntas?!
Pergunta pontuda! Estavam bem afiadas as ferramentas da manicure!
O silêncio permaneceu. Não se ouviu nem ao menos um "ai".

Ainda assim, um pensamento mudo ousou desafiar lixa, tesoura e alicate:
"Essas manicures estão cada dia mais abusadas!"


segunda-feira, outubro 08, 2007

"Vou pra rua e bebo a tempestade..."

"Existe uma pessoa que está ao seu lado, silenciosamente apenas no movimento barulhento das coisas aparentes, porque percebe que o mestrado é apenas pretexto para você empreender a busca da tempestade (sem o risco dos trovões que ferem, mas com os raios que nos alentam). Creio que sou um dos pouquíssimos a perceber você na totalidade, senão o único, e isso é ouro."

ps: Depois vou buscar uma imagem que faça jus a essa injeção de ânimo na veia!

segunda-feira, outubro 01, 2007

Manifesto à insanidade (Para Anna)

Assumo sem medo ou arrependimento: Sim, falta um parafuso aqui! Falta um peso nessa balança, falta um ponto na frase, uma vírgula, um parágrafo, uma conjunção ... Admito! Falta "preparo emocional" para lidar com as surpresas do dia-a-dia. No caso, contudo, já que, não tendo o poder de prever o futuro, a partir do momento que ponho o pé na rua estou me deparando com uma surpresa. A inesperada chuvinha justo quando saí desprevenida, o sol que saiu naquele dia que apostei na manga cumprida, o encontro na noite que decidi chegar mais cedo em casa para estudar...


Logo, reconheço que mereço meu "primeiro lugar", que, claro, não é só meu. É de todos aquele que me ajudaram a chegar até aqui. De todos que contribuem diariamente para minha "leve" instabilidade. Vou começar pelos buracos. Eles estão sempre no meio do caminho, justo no caminho da minha bicicleta. Impossível não desequilibrar.

domingo, setembro 30, 2007

Com dom e sem Dom...

"Essa consideração também é útil para que o jornalista iniciante (incluindo esta autora) assuma a consciência sobre as variáveis envolvidas na produção da informação e busque equacioná-las sem aspirações quixotescas, mas também não permitindo que ganhe espaço a acomodação em relação às regras do jogo."

(Trecho das considerações finais do meu trabalho de conclusão do curso de Jornalismo intitulado As gerações da notícia: O texto e o contexto da grande imprensa brasileira durante as viradas’ técnicas e políticas (1960-1980))

sábado, agosto 25, 2007

Las manos


Una destas manos en el aire es mía...


Por Guadalajara meus sentidos foram excitados pelos cheiros, gostos, imagens, ritmos, texturas...

Tudo é puro estímulo!

Täo perto das minhas mäos...




sábado, agosto 11, 2007

Fim de ciclo...

Agradecimentos



Eis que se aproxima mais um fim e mais um começo...

- Lide, Malu! Lide!

Vou tentar. Sem nariz de cera, agradeço aos meus amigos por compartilharem comigo as primeiras caminhadas entre o Iacs e o Gragoatá, por tornarem as aulas do professor “Babinha” mais interessantes, por suportarem meu estresse pré-apresentação do Aníbal (Bernardo, por que você não entrou na máquina do tempo?!), por dividirem os intervalos (e as aulas vagas) no anfiteatro - e depois na praia - do nosso Instituto...


Pelas aulas de jornalismo, agradeço ao amigo Breno Costa. Guardo as experiências compartilhadas no De Olho (De o quê?) e a missão encaminhada através do e-mail “É você mesmo”.

Agradeço a todos os que passaram pelo Fazendo Media: a média que a mídia faz enquanto eu fiz parte desta escola dentro da escola. Dou o crédito ao jornal estudantil por me apresentar novas versões.

Pela paciência, carinho e bom humor: obrigada Rosa Benevento!

Pela prosa e pela poesia: obrigada professor Denis de Moraes.

Agradeço ao meu orientador João Batista de Abreu por fazer o copydesk dos meus textos sempre com olhos de águia.
Renata, guardo com carinho nossa parceria no projeto de extensão que, na direção oposta da minha verborragia, apelidamos de “Cale-se”.

A todos os funcionários do Iacs e demais professores, aqui representados pelo professor Antonio Serra e pelo Zé Luiz Sanz, obrigada!

Pela literatura, agradeço à Stephanie e Graciela.

Agradeço pela sensibilidade da Anna.

Bruno, obrigada!

A todos que a falta de memória, de espaço ou o “fetiche da velocidade” me impediram de citar nominalmente, obrigada!


Até a próxima pauta!

De novo e sempre: pai, mãe e Pedro, valeu!

sexta-feira, agosto 03, 2007

Potencial...


Eu queria ser mais coisa
Mas escolhi ser pá
E ser terra
E ser semente
E ser promessa
Eu poderia ser árvore
E poderia ser fruto
E poderia, se quisesse, ser jardim
Mas quis ser regador
E quis ser mais polén
Do que já quis ser flor
E fui arado
E fui um pouco de mim.
***
Permita-se!
Uma amiga me disse: Você se esconde.
E tirou meus óculos e me deu brincos e me deu batom...
A dançarina de flamenco começou a ser exibir no salão. Com largo sorriso deixou seu recado. Prosseguiu desenhando artimanhas no vazio para quem quisesse admirar. E, quando achou que apenas seu ego se inflamava com o traçado de suas saias no ar, o toreiro se aproximou, abriu o pano vermelho e se preparou para o golpe certeiro:
- Posso me sentar?!

domingo, julho 22, 2007

Borboletas mutantes


A linguagem é fascista não porque ela te impede de dizer, mas porque te obriga a dizer. (Roland Barthes)




Há certas palavras que a gente se sente obrigado a dizer. E digo a gente na certeza de não estar sozinha. Não estou falando daquelas palavras que escapam da boca e, às vezes, ferem ao outro sem que tenhamos qualquer controle sobre elas. Isso porque o controle termina quando deixamos que elas ultrapassem as fronteiras entre o dito e o não dito. Depois, são como borboletas saídas do casulo. Mas, ao contrário destas, aquelas não têm vida curta. Ao invés de morrerem rapidamente no ouvido de alguém, podem assumir outras formas e percorrerem milhares de bocas e ouvidos, bocas e ouvidos, bocas e ouvidos... Por isso, vivo o esforço diário de cuidar para que não ultrapasse a fronteira do dito e do não dito qualquer palavra clandestina, que vá percorrer sabe lá que territórios. Além disso, para o caso de uma eventualidade, há pouco passei a carregar no bolso as palavras de um colega: Não confie no off!




ps: Cuidado redobrado com as palavras escritas!!! Conquistam o Green Card assim que chegam até a folha de papel

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Eis que meu leitor e amigo pergunta, aqui abaixo no espaço reservado para os comentários, sobre a bicicleta. Pois é, não sei. Na verdade, acho que a deixei em algum lugar e, no meio dessa correria em que vivo atualmente, a perdi. Eu sei que correrias não são justificativas. E eu deveria me organizar melhor (palavras do papai). Dormir menos tarde, acordar mais cedo e usar fio dental. As descalcificações ameaçam o branco dos meus dentes.

Sei que deveria arranjar um tempo para sentar em alguma praça, colocar o jornal no colo e fitar alguma lembrança gostosa perdida em algum lugar, talvez junto com a bicicleta. Viu, só? Foi só relaxar um segundo e já tenho uma pista...

obs: Acima, mais uma foto de Juiz de Fora...

quarta-feira, junho 13, 2007

Jornal Velho x Jornal novo

Tenho fixação por jornais velhos. Verdadeira tara por algo que precise conferir daqui a alguns anos e que, por ter despejado no lixo aquele velho jornal, fique eternamente sem saber. Sim, é um drama. Nunca disse que não gostava de dramas. Minha obsessão é pelas informações que, com certeza, passarão despercebidas na primeira leitura. Na verdade, admito, minha obsessão é justamente por aquelas que não absorvo. Terrível condição humana esta que Deus – para quem acredita, claro – criou... O jornal de ontem é por demais interessante aos meus olhos, pois representa um desafio e me impõe debochadamente uma pergunta: o que ficou por saber? Qual parte dessas folhas, em breve amareladas, não absorvi?

Tenho fixação por jornais velhos. E, hoje que vejo seus esqueletos na tela do computador, meus sintomas se agravam terrivelmente, posto que a sensação passou a anteceder a impressão. À medida que ele – esse jovem que já nasce adoecido pela velhice precoce – vai ficando pronto, começam as perguntas. O que faltou? O que sobra? O que está fora do seu lugar?

Certo dia, uma colega, famosa por emitir opiniões contundentes, me surpreendeu com uma simples constatação, quando viu minha cara de insatisfação ao olhar no jornal do dia o produto do meu trabalho.

– Foi impresso... - disse com seu infalível sorriso irônico.
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- Mete um calhau, mete um calhau!
Diz ela que acordou com essas palavras depois de um pesadelo em que a sua apuração não condizia com o espaço e diagramação da matéria na página do jornal.
Depois de se desesperar tentando inventar os fatos (como se essa não fosse um pouco nossa tarefa, confesso...), ela se rendeu ao tapa-buraco oficial do jornalismo e pediu, implorou:
- Mete um calhau, mete um calhau!
Tentou antes dialogar com o editor, dizer que havia sido pautada para fazer uma matéria menor, totalmente diferente... Em vão. E para não deixar o vão, pois isso é coisa inaceitável, apelou:
- Mete um calhau!
Sim, há vãos. Mas não representam a sobra de espaço e sim a falta de informação. Remédio: criatividade. Ou então...
- Mete um calhau!
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domingo, junho 10, 2007

Série Desconhecidos: Alheio







Estava entre elas e não estava. Enquanto pude testemunhar, estava alheio. Parecia estático com seu ar europeu, mas seus olhos... De novo os olhos...

Se o corpo de fato fala, confesso que não consegui escutar o que diziam suas mãos descansadas sobre a perna e a bengala. Entre as outras ele estava estático, por isso creio que já há alguns minutos havia saído daquele banco e talvez percorresse espaços outros, distantes daquela praça.








Mãos e pernas dialogavam entre si. Cruzadas em sinal de retração, talvez. Espalmadas, em sinal de prontidão, possivelmente. E as dele alheias, em sinal de distração. É provável que as últimas assim se mantivessem por não valer a pena retrair-se e porque, talvez, nem sempre seja requisito básico estar pronto e atento. "Distraia-se", me disse aquele senhor. "Relaxe", sugeriram suas mãos e pernas. Alheias, embora despertas.

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Citação: "A gente acaba se acostumando com a chegada dos anos, eu pensei, enquanto as luzes iam se apagando na Avenida Montaigne. E prometi a mim mesmo que em 2007 eu ia mudar alguma coisa. E resolvi que havia de ser essa mania besta de deixar o coração na prateleira, ao alcance da mãe de alguém que já lhe quer tocar..." (Miguel Falabela, sem preconceitos!)

quinta-feira, maio 24, 2007

Série: Desconhecidos (A praça)

Juiz de Fora
Em algum dia no meio de uma tarde no meio de maio...


A mão repousando sobre a bengala. O alinhamento do terno, um sinal da elegância. As linhas do rosto se assemelhando às fronteiras de um mapa. Na pasta, papéis talvez... Um guarda-chuva, possivelmente. Os óculos não enganavam. Ele enxergava além. Aqueles olhos, míopes talvez, e certamente cansados miravam mais do que qualquer um pudesse supor. Não os subestimei. A mão esquerda descansando sobre o banco do Parque Halfeld. Naquele instante, parou o tempo. Nenhuma das árvores ousou balançar seus galhos. Apenas algumas folhas desobedientes se animaram com a brisa que passava sem alardear sua presença.
O cenário era todo dele. Dele e de sua imóvel concentração. Seu pensamento, não dividiu com ninguém. Os lábios cortados pela continuação das linhas que avançavam sobre seu rosto indicavam certo desânimo. Seria uma conta do passado, seria um ajuste com o futuro? Do presente, nada seria capaz de afligi-lo, porque o presente simplesmente não era, estava congelado. Mas eria esse estado gélido - longe das emoções passadas, afastado das potencialidades de um futuro - seria essa a causa do aparente desânimo? Estranha suposição... Pois quisera eu ter o privilégio de viver esse instante, em que as árvores param e tudo se cristaliza para que seu pensamento flua em paz, sem a pressão do elevador que vai sair do seu andar ou do ônibus que já deixa o ponto até o próximo ponto e o próximo ponto e o próximo... Ele não sabe, mas aquele momento foi congelado e nós dialogamos por alguns segundos. E, embora eu seja incapaz de traduzir o teor de nossa conversa, posso garantir que aprendi bastante com a elegância do terno e da gravata, as linhas fronteiriças do rosto, as grandes orelhas de bom ouvinte, o repouso das mãos, a prevenção do guarda-chuva na pasta e o exemplo de quem - mesmo com um certo ar de desânimo - não me enganou. Ele via além...


Nota: Desde já, peço licença aos desconhecidos para expor nossos encontros neste espaço virtual.
(Texto e foto: Maria Luiza Muniz)