sexta-feira, outubro 24, 2008

Questão de confiança e a política dos afetos no mercado

"A crise financeira só será contida quando a confiança entre os agentes for restaurada. A confiança não é um bem ou um serviço que possa ser fornecido somente pelo livre jogo das forças de oferta e procura dos agentes privados. Esse é o equívoco dos que defendem radical desregulamentação."

ANDRÉ FRANCO MONTORO FILHO, 64, doutor em economia pela Universidade Yale, é professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP e presidente do Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial). Foi secretário de Economia e Planejamento de São Paulo (1995 a 2002) e presidente do BNDES (1985 a 1988) / 24 de outubro - Opinião - Folha de S. Paulo.

quarta-feira, outubro 22, 2008

As aspas

- Tio Weber, isso é carisma?
"Quando chega o fim do ano um quer um tênis, um quer uma calça. E o dinheiro não dá. Você vai ter que, em vez de dar uma calça, dar uma bermuda mais barata para um e, em vez de dar uma meia que venha até o joelho, dar uma meia pequenininha. É sempre um cobertor que não dá para cobrir o pé e a cabeça", afirmou.
¨Sobre seu otimismo, ele disse que não poderia agir diferente. "Imagina visitar no hospital um companheiro que está em fase terminal, sentar na beira da cama e falar: "Ó, ontem morreu um cara igualzinho'".

presidente Luis Inácio Lula da Silva na Folha de hoje (22/ outubro)

sexta-feira, outubro 17, 2008

Idade

Idade

Se eu tivesse a idade da espontaneidade
não treinava minhas falas
nem media o assunto.

Se eu tivesse idade,
viajava sem malas
para Machu Picchu ou Maputo

Se eu tivesse a idade,
não calculava tributo,
não media escalas
nem tabelava a usura

- Ora! Mas, quem diz que espontaneidade
tem idade, erra por ignorância
ou poda pela censura.

Maria Luiza Muniz

quarta-feira, outubro 15, 2008

Enquanto não vens...

"Sinto, porém, que existe alegria no meu pensamento, sabendo que vens. E desejo que o dia de hoje passe. E queria gastar a minha vida mais depressa, pra que desde já fosse amanhã".

A Anna pegou da Cecília Meireles e me deu. Eu repasso para você.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Um brinde à poesia...

Na semana passada, estive com um grupo que costuma se reunir para recitar e ouvir poesia. O título deste post é o mesmo dado ao encontro. Poderia ser também Um brinde à pausa e cairia muito bem... Pois foi, para mim, um momento de pausa nessas questões urgentíssimas que nos ocupam (que me ocupam, ao menos). Uns segundos suspensos no ar, flutuando numa atmosfera de palavras. Então, tim tim! E vamos beber a poesia.

Este poema abaixo foi recitado por uma senhora muito simpática, cujo nome não memorizei, mas guardei a delizadeza e harmonia expressas em gestos e voz.

Da inversão de tudo - Cesar de Araujo

Há dias em que as cadeiras sentam na gente
as águas se lavam com nosso rosto
é a noite iluminando a luz.

Quem sabe a verdade
o inverso de tudo?

Inferno de inverno
encontro um homem
sorrindo verão.
Contei a dezenas
não me entenderam
não acreditaram.

Há dias em que as coisas ficariam bem
se estivessem ao contrário:
as árvores a plantar-nos
a estrada a andar em ti
a contemplar-me o sol.

Nós frutificaríamos
darias passagem
eu amanheceria.

terça-feira, julho 29, 2008

As 'vozes' de Buenos Aires... (algumas)


Eis alguns registros de visita recente à capital argentina. Fico devendo mais palavras...

sexta-feira, julho 11, 2008

quinta-feira, julho 03, 2008

Primavera con una esquina rota - Mário Benedetti

"¿Te das cuenta de que te extraño? Pese a mi capacidad de adaptación, que no es poca, ésta es una de las faltas a las que ni mi ánimo ni mi cuerpo se han acostumbrado. Al menos, hasta hoy. ¿Legaré a habituarme? No lo creo. ¿Vos te habituaste?"

terça-feira, julho 01, 2008

Vem...

De lá do meio do mundo ele saiu, mas não chegou ainda.
Pergunto-me nessas horas lentas, em qual dia essa saudade finda?

segunda-feira, junho 30, 2008

Vai-e-vem

"Entre nós, mesmo quando avança, a história carrega as marcas do atraso e deixa de cumprir promessas que acumulou. "

(Fernando Barros e Silva, hoje na Folha de S. Paulo, parafraseando um jovem sociólogo dos anos 60)

sexta-feira, junho 27, 2008

Alice no país das maravilhas!

"A cama de Alice está num lugar quando ela vai dormir e noutro quando ela acorda"

segunda-feira, junho 16, 2008

Mi México...



fotos: Malu de Bicicleta (Pintura exposta na casa-Museu de Leon Trotski, uma senhora na feira de Chapala e o "trio" sobre a mesa do restaurante)

quinta-feira, junho 12, 2008

Eco eco eco eco...

"...a comunicação só é digerida se aquele que a emite é capaz de colocar-se na altura daquele que ouve".

"Alguém que é feliz a vida toda é um cretino. Por isso, antes de ser feliz, prefiro se inquieto"

"A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal".


Umberto Eco

domingo, junho 08, 2008

Uma pausa para você...

Suas obviedades me são essenciais...

segunda-feira, junho 02, 2008

"Amar es combatir, si dos se besan
el mundo cambia, encarnan los deseos,
el pensamiento encarna, brotan alas
en las espaldas del esclavo, el mundo
es real y tangible, el vino es vino,
el pan vuelve a saber, el agua es agua,
amar es combatir, es abrir puertas,
dejar de ser fantasma con un número
a perpetua cadena condenado
por un amo sin rostro"

Octavio Paz (Mixcoac, México, 1914-1998 )

quinta-feira, maio 29, 2008

Mario Benedetti (e Malu de Bicicleta) - Amor da tarde

"É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente e dizer "e aí?" e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono."

***

É uma pena você não poder estar comigo
quando olho no relógio e ainda são duas
Você podia chegar de repente e dizer "surpresa!" e ficaríamos
eu iluminada com o azul-verde dos seus olhos
e você com as marcas vermelhas do meu apetite.

segunda-feira, maio 05, 2008

Mais para 'pêssego' que para hortelã

Ao final da apresentação da dançarina Eva Yerbabuena no Teatro Municipal do Rio de Janeiro um grupo maravilhado com a 'degustação' do flamenco molhado e denso compartilhava palpites: "Acho que as letras falam de um lamento..." Entre o lamento e a peleja, aposta de outros, os pouco mais de 60 minutos de espetáculo arrancaram "Olé!" da platéia e fizeram certos pés tremerem no espaço apertado das galerias (não sei como foi lá embaixo...). Embora a estratificação econômica, tal qual no Coliseu, deixe os menos abastardos longe da arena, não acredito que também haja estratificação emocional. Galerias e camarotes pareceram vibrar com a agilidade e precisão das batidas de pés e mãos. "Olé!"

***

Receita:

Mojito
1 dose de rum branco

Suco de 1 limão

1 colher (chá) de açúcar

Club soda para completar o copo

4 folhas de yerbabuena (ou hortelã)


Amassar levemente as folhas e o açúcar com um amassador. Acrescentar o suco de limão e encher o copo com gelo picado. Adicionar o rum e completar com a soda. Decorar com um ramo da folha e servir com canudo e mexedor. Servir em copo long drink.

sábado, abril 26, 2008

Pressa...

Esta citação pode precisar de contexto , mas deixo para depois...

Tio Luiz:

- Vou devagar, porque devagar também é pressa...

terça-feira, abril 15, 2008

Os segundos e e os dias ...

Quantos segundos há em um dia?!

Não façam cálculos. Não é de números que eu estou falando...

domingo, abril 13, 2008

No melhor dos mundos possíveis...

Após muitas e incontáveis desgraças, o caminho de Cândido e Cunegundes para a América...



"Durante toda a travessia, refletiram bastante sobre a filosofia do pobre Pangloss. "Estamos indo para outro universo, dizia Cândido, deve ser nele que tudo está bem. Pois temos que confessar que se poderia gemer (reclamar) um pouco do que acontece no nosso na (esfera) física e na moral. - Eu o amo do fundo do meu coração, dizia Cunegundes, mas minha alma ainda está agitada com tudo que vi, tudo que senti. - Tudo vai correr bem, replicava Cândido; o mar deste novo mundo já vale mais que os mares da nossa Europa; é mais calmo, os ventos mais constantes. É sem dúvida o novo mundo que é o melhor dos universos possíveis. - Deus queira! dizia Cunegundes (...)"




Trecho do livro Cândido ou O otimista, de Voltaire.