domingo, junho 08, 2008

Uma pausa para você...

Suas obviedades me são essenciais...

segunda-feira, junho 02, 2008

"Amar es combatir, si dos se besan
el mundo cambia, encarnan los deseos,
el pensamiento encarna, brotan alas
en las espaldas del esclavo, el mundo
es real y tangible, el vino es vino,
el pan vuelve a saber, el agua es agua,
amar es combatir, es abrir puertas,
dejar de ser fantasma con un número
a perpetua cadena condenado
por un amo sin rostro"

Octavio Paz (Mixcoac, México, 1914-1998 )

quinta-feira, maio 29, 2008

Mario Benedetti (e Malu de Bicicleta) - Amor da tarde

"É uma pena você não estar comigo
quando olho o relógio e já são seis.
Você podia chegar de repente e dizer "e aí?" e ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus lábios
você com o risco azul do meu carbono."

***

É uma pena você não poder estar comigo
quando olho no relógio e ainda são duas
Você podia chegar de repente e dizer "surpresa!" e ficaríamos
eu iluminada com o azul-verde dos seus olhos
e você com as marcas vermelhas do meu apetite.

segunda-feira, maio 05, 2008

Mais para 'pêssego' que para hortelã

Ao final da apresentação da dançarina Eva Yerbabuena no Teatro Municipal do Rio de Janeiro um grupo maravilhado com a 'degustação' do flamenco molhado e denso compartilhava palpites: "Acho que as letras falam de um lamento..." Entre o lamento e a peleja, aposta de outros, os pouco mais de 60 minutos de espetáculo arrancaram "Olé!" da platéia e fizeram certos pés tremerem no espaço apertado das galerias (não sei como foi lá embaixo...). Embora a estratificação econômica, tal qual no Coliseu, deixe os menos abastardos longe da arena, não acredito que também haja estratificação emocional. Galerias e camarotes pareceram vibrar com a agilidade e precisão das batidas de pés e mãos. "Olé!"

***

Receita:

Mojito
1 dose de rum branco

Suco de 1 limão

1 colher (chá) de açúcar

Club soda para completar o copo

4 folhas de yerbabuena (ou hortelã)


Amassar levemente as folhas e o açúcar com um amassador. Acrescentar o suco de limão e encher o copo com gelo picado. Adicionar o rum e completar com a soda. Decorar com um ramo da folha e servir com canudo e mexedor. Servir em copo long drink.

sábado, abril 26, 2008

Pressa...

Esta citação pode precisar de contexto , mas deixo para depois...

Tio Luiz:

- Vou devagar, porque devagar também é pressa...

terça-feira, abril 15, 2008

Os segundos e e os dias ...

Quantos segundos há em um dia?!

Não façam cálculos. Não é de números que eu estou falando...

domingo, abril 13, 2008

No melhor dos mundos possíveis...

Após muitas e incontáveis desgraças, o caminho de Cândido e Cunegundes para a América...



"Durante toda a travessia, refletiram bastante sobre a filosofia do pobre Pangloss. "Estamos indo para outro universo, dizia Cândido, deve ser nele que tudo está bem. Pois temos que confessar que se poderia gemer (reclamar) um pouco do que acontece no nosso na (esfera) física e na moral. - Eu o amo do fundo do meu coração, dizia Cunegundes, mas minha alma ainda está agitada com tudo que vi, tudo que senti. - Tudo vai correr bem, replicava Cândido; o mar deste novo mundo já vale mais que os mares da nossa Europa; é mais calmo, os ventos mais constantes. É sem dúvida o novo mundo que é o melhor dos universos possíveis. - Deus queira! dizia Cunegundes (...)"




Trecho do livro Cândido ou O otimista, de Voltaire.

terça-feira, abril 08, 2008

"Fundamental é mesmo o amor..."

O homem é pois naturalmente político, o que significa que há na sua natureza uma tendência a viver em cidades, e que ao realizar essa tendência o homem tende ao seu próprio bem. Eis o motivo pelo qual é difícil imaginar "solitário o homem perfeitamente feliz; ninguém, de fato, escolheria possuir todos os bens desde mundo pra usufruir deles sozinho, pois o homem é um ser político e naturalmente feito para viver em sociedade" (Ética, Aristóteles em Aristóteles e a Política de Francis Wolff).


"... é impossível ser feliz sozinho."

segunda-feira, abril 07, 2008

Há controvérsias...

"... procurar em todo o conhecimento um resultado que não seja o próprio conhecimento, e exigir que o conhecimento seja útil, é atitude de quem ignora completamente a distância que separa desde o início as coisas boas das coisas necessárias; elas se situam em extremos opostos".

Aristóteles, Protrepticus.

domingo, abril 06, 2008

Equilíbrio

Em algum filme desse domingo que já é ontem...

- Me sinto como se estivesse prestes a espirrar e segurando uma xícara de café quente com uma das mãos.

quarta-feira, abril 02, 2008

Do homem que escreve sem pausas...

Roubei a citação do blog de um amigo que há tempos não vejo, mas sei que estamos conectados...

"E sinto coisas tão boas, Luciano, ondas de energia claras que me sobem Kundalini acima – e então penso que está certo assim, na nossa sede infinita (Drummond) acreditar e levar porrada mas voltar a acreditar e cair do cavalo e não deixar de acreditar e se desenganar e se arrebentar mas continuar acreditando que, de alguma forma, há alguma resposta de humano para humano. E que amar o humano do outro é aceitar e amar teu próprio humano, e que esse é o único jeito, o único way-out possível: procurar no humano do outro a saída do nosso próprio humano sem solução. E na minha memória, amar os pés nus do meu amor na minha blusa roxa. Ou o beijo na boca na escadaria. E pouco importar que tudo tenha sido ou continue sendo fantasia ou carência, porque é assim que as coisas são, e é através disso – e só disso, venusiano total – que posso crescer, e então quero crescer, e não me importo nem um pouco de voltar e acreditar e de ficar todo acesso e mais delicado para olhar as coisas, qualquer coisa." (Caio Fernando Abreu)

terça-feira, março 25, 2008

O mosquito da dengue

Manira pensa que o mosquito da dengue não existe. Há alguns anos escuta as pessoas falando do tal mosquito e sua família inteira já foi vítima da infeliz picada. Mas ela não acredita e ponto. Acha que é desculpa que os governos inventam para repassarem a culpa pela falta de investimentos em saúde. Tentei convencê-la a tomar os cuidados necessários com o argumento de que "se bem não fizer, mal também não fará". Ela não se deu por vencida, mas prometeu seguir a advertência.

Cá entre nós, fiquei me perguntando se Manira não estaria certa e o mosquito da dengue seria como esses entes imaginários que aparecem em determinada época do ano ou em determinadas regiões... Saci, boto, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa. Ah! Esse último sai da lista. Com certeza ele existe! Eu acredito! (Rá! Isso ficou parecendo campanha eleitoral estadunidense.)

domingo, março 16, 2008

Garotas de Guantánamo

Maria Bethania e Omara Portuondo (Caneção, 16 de março de 2008)

Guantanamera

Wikipédia: Guantanamera é uma das mais célebres canções da música cubana, de autoria de Jose Fernandez Diaz. Guantanamera significa garota de Guantánamo, cidade do sudoeste de Cuba. A música data de 1963 e uma das gravações mais conhecidas é do grupo Sandpipers.


sexta-feira, março 14, 2008

O Fico

Maria Luiza Muniz
(resposta ao poema Me voy)

Eu fico. Não que inexista um destino.
É só porque minhas viagens, neste enquanto, são internas.
Eu fico esperando o momento de novamente
Envolver-te entre meus braços e pernas.
Eu fico com minhas hipóteses e metodologias
Fico com essa prótese de coração, cópia fiel.
Cuide bem da original em sua bagagem
Entre o kit de sonhos e camisa social.
Eu fico riscando o calendário duas vezes por dia
Para ver se alcanço mais rápido o seguinte...
Eu fico com nossas fotos e suas cartas.
Fico tentando casar sua letra e voz na minha memória.
Fico com a História, a Política, a Comunicação...
Vivo a prática diária das Ciências Humanas
E com a desumana carência da nossa práxis.
Fico, mas para declarar minha dependência
De lábios e toques, de corpos e atrito.
Digo ao povo que Fico.
...aguardando o grito da nossa doce inconfidência.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O meu primeiro espanhol

El Horizonte y la Aurora

Maria Luiza Muniz

Despiértame, amor!
Cuando yo esté sola
Despiértame con tu calor
O con palabras de cariño
Que se retiene hasta cuando
Ellas te piden para salir.
Despiértame, amor!
Ya es temprano y es temprano
Que las cosas empiezan a ocurrir…
Despiértame, amor, con un sueño
Y, por favor, sin sonido!
No tardes más, ni al menos los dos días
Que nos separan ahora
Despiértame, amor!
Que hoy me llamo Aurora
Y tú vas a llamarse Horizonte.
Tan luego digas mi nombre
Voy a acostarme junto a ti.
Despiértame, que necesito vivir!
Y traiga un café, por favor,
Corto, como la vida, amor.

***
nota da autora: Ainda estou tentando domar o idioma...

nota da "tradutora":
cor.to, -a adj 1 curto, breve, escasso, deficitário. 2 fig limitado, curto de inteligência, de talento, pouco instruído. sm café puro, café concentrado. a la corta o a la larga cedo ou tarde. corto de vista míope. quedarse corto não encontrar palavras para explicar um fato real.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008


Metades




Delicados como se não quisessem consumir todo o tempo
Harmoniosos como se desde sempre
Modelados um sob o vazio do outro
Silenciosos como se buscassem frear instintos
Turbulentos quando a regra é não conter
Coreografados como um corpo bailarino
Espontâneos como a necessidade requer
Inocentes qual pipa e menino
Lascivos como batom, vermelho e mulher
Individuais como as pedras de um lago
Encaixados como as peças de um lego
Cheios de vontade ego saudade apego



MLCM

Poema-espelho



Pies hermosos


La mujer que tiene los pies hermosos
nunca podrá ser fea
mansa suele subirle la belleza
por totillos pantorrillas y muslos
demorarse en el pubisque siempre ha estado más allá de todo canon
rodear el ombligo como a uno de esos timbres
que si se les presiona tocan para elisa
reivindicar los lúbricos pezones a la espera
entreabir los labios sin pronunciar saliva
y dejarse querer por los ojos espejo
la mujer que tiene los pies hermosos
sabe vagabundear por la tristeza.



Mario Benedetti

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Meu Girassol


Com uma cicatriz no pescoço é mais fácil perceber que se tem pouco tempo para duvidar da felicidade. Percebe-se quanto pode ser passageiro esse instante intocável de precioso desequilíbrio de emoções. Quando se ganha alguns pontos, percebe-se com mais frieza quanto é fácil perder outros tantos em um lance mal ponderado. Aquela linha definitiva traçada bem no meio do seu pescoço lembra a você o quanto irrevogáveis começam a serem algumas sentenças. Infelizmente, só nos damos conta de que somos adultos quando já tomamos umas dez decisões irreversíveis. Por isso, uma linha no pescoço é a marca que me faz pensar no que é definitivo e em tudo que se faz passageiro se não valorizado na hora certa... (Maria Luiza Muniz)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

É carnaval!!!


X
Razão
(presente de Charles Rodrigues e patota)

Um olhar. Um simples olhar...
Formas de ver a vida,
Vidas de diversas formas
Nelas, uma inesperada completude
Um aviso, um lampejo, uma atitude
Instantes de mudança
Um bolo doido de bonança...
Mas seguem os pensamentos
Alegrias, buscas, tormentos
As últimas conquistas..
As novas aquisições:
Um livro, um beijo, um perdão...
E a cabeça gira, não pára, pira,
Mira, além da nossa compreensão
Saímos, ficamos, voltamos
Notamos as conquistas
Mas sempre retornamos ao nosso canto
Nosso encanto, nossas brigas, nosso chão
Aquele ínfimo mundinho
Onde cabe a nossa razão!

terça-feira, janeiro 29, 2008

Do tamanho de uma cereja

“O diabo não é diabo porque é vermelho, mas porque é velho”. Foi com uma frase mais ou menos assim que o cirurgião de cabeça e pescoço – especialidade que minha mãe repete como se assim minimizasse suas angústias pelo caroço aqui no meu centro de controle – me corrigiu, sugerindo que eu não subestimasse os conhecimentos maternos oriundos de experiências sacudidas em um saquinho como moedas preciosas. Minha herança. Pois um dia, talvez, eu faça uso delas e troque por um bilhete para a terra das conquistas pré-concebidas. Esse destino imaginário não é casual.

Tem a ver com o filme que vi agora pouco e ainda com alguns pensamentos que vieram me atrapalhar o sono nesta última noite. Não são muito novos esses meus lamentos pós-aniversário ao fim de janeiro. Acho que por isso deixei de curtir alguns bons carnavais. Já quando avançava pela adolescência ficava pensando se os colegas da minha nova turminha seriam os mesmos que os do ano anterior. Alguém novo perturbaria o equilíbrio alcançado a duras penas entre a patota? Torcia para que as mudanças não fossem drásticas e chegava a ter pesadelos com o primeiro dia de aula.


Cena 1 – Sala de aula – manhã - Volta às aulas

Ela entra na sala e não reconhece ninguém. A câmera vai passando por cada um dos novos amigos (?) ou potenciais inimigos que cochicham entre si sem muito cuidado em disfarçar que ela é o alvo dos comentários irônicos e curiosos.


Isso nunca aconteceu. Sempre que eu chegava na sala meus coleguinhas estavam lá, alguns saudosos, outros nem tanto. Quando notava presenças estranhas entre os meus velhos e cativos conhecidos da turma 54, 64, 74, 84... Bom, qualquer ave estranha no ninho logo era atraída por uma versão minha das mais simpáticas e carismáticas; a mesma que em alguns minutos pode vir a se tornar meio chata e até inoportuna (a Anna adora me advertir quanto a isso...). Enfim, tudo isso para dizer que finais de janeiro sempre foram um pouco melancólicos com repetidos saldos calculados entre as expectativas e as conquistas dos últimos anos. Esse não está sendo diferente, incluindo uma dose de pirraça comigo mesma por notar que meus avanços (sim, consigo percebê-los, embora seja um tanto complicado mensurá-los) aportam sempre com alguns anos de retardo. E eis que surgem aquelas ínguas irritantes em forma de perguntas: Por que eu não fiz isso quando eu tinha 10 anos? Passam os anos e só o que mudam são os dígitos... Por que não aos 14, 15, 18, 20, 22... A lógica processual do amadurecimento me inerva e me coloca sempre disposta a “recuperar o tempo perdido”.



Recuperar a dívida com a literatura! Recuperar a dívida com os clássicos do cinema, da arte, da História, da cultura nacional! Aprender mais sobre jazz, blues e afins! Ler, ler, ler! Recuperar minha dívida com as atividades físicas: mens sana in corpore sano. Amém! Recuperar minha dívida com os conhecimentos atuais. O mundo gira, minha filha! Ah! Já ia me esquecendo da dívida com o futuro! Rá! Um mundo de coisas e dois braços que parecem encurtar enquanto vejo distâncias alimentadas com fermento e tônico.

É curioso que no meio desse turbilhão de dívidas imaginárias eu me torne uma credora de mim mesma e esteja prestes a declarar moratória por uma simples pedra no meio do caminho. Eis que a pausa se impõe. Há uma pedra no meio do pescoço, no meio do pescoço há uma pedra... Na altura da glândula que comanda uma produção hormonal em série, hereditariamente comprometida. Essa glândula desponta como a credora que se opõe a minha ânsia por controle do tempo que o tempo precisa para passar e fazer amadurecer.